Velocidade de 20km/h na Ciclovia Rio Pinheiros​? O que acha disso?

Essa semana, a CPTM postou em sua fan-page no Facebook, uma imagem de divulgação sobre a velocidade máxima dos ciclistas na Ciclovia Rio Pinheiros, que atualmente é de 20km/h. A publicação gerou polêmicas e opiniões divergentes, pois muitos ciclistas usam a pista para treino, outros para lazer com a família ou deslocamento diário.

A questão é: será mesmo que essa medida é a mais correta, dentre tantas outras que são necessárias, para essa estrutura cicloviária? Quais estudos foram feitos para que tal regra seja adotada na ciclovia? Que medidas são adotadas em outros países e quais são os mitos e verdades da bicicleta?

Ciclovia Rio Pinheiros Velocidade Bike Zona Sul
Imagem: reprodução da CPTM

Ciclovias como essa são consideradas como “Cycle Highway” em países que possuem vasta experiência no uso da bicicleta como meio de transporte. Elas incluem todas as modalidades de ciclistas possíveis, nesse tipo de estrutura, considerada de alta velocidade, no entanto todos convivem tranquilamente em velocidades diferentes.

Confira no vídeo, a partir dos 5:25 minutos (O canal Bicycle Dutch no You Tube é uma ótima referência sobre estudos e processos de adaptação de estruturas cicloviárias):


O que podemos notar é que nesse tipo de estrutura, tudo é pensado para o deslocamento, onde é prioritário o menor esforço, agilidade da bicicleta em todos os traçados. Ciclistas não são tidos como “perigosos”, muito pelo contrário, pois o uso de veículos motorizados de grande porte em ciclovias é totalmente proibido.

Assim, velocidades de 40km/h ou até mais, não se tornam nenhum perigo entre ciclistas que convivem e compartilham o espaço apenas entre si.

Acreditamos que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM​) e o Governo do Estado de São Paulo​ está demonstrando mais uma vez total desconhecimento sobre o uso bicicletas, culpabilizando usuários, devido à falta de investimentos e erros de sinalização e planejamento da estrutura cicloviária.

A Ciclovia Rio Pinheiros acaba sendo utilizada como modalidade esportiva mesmo, por conta da falta de velódromos na cidade e rodovias que permitam o direito de pedalar nos acostamentos, conforme manda a lei. E ainda assim, o compartilhamento na ciclovia é possível, principalmente se ela tiver sua função principal, que é o deslocamento, afinal, estruturas que atendem bem como modal de transporte, atendem à todas as modalidades. Além disso, ciclistas que usam a bike como meio de transporte, não querem apenas espaço para “pedalar”, mas para ir e vir de um bairro à um centro empresarial com praticidade, agilidade e segurança.

Ciclovia Rio Pinheiros Bike Zona Sul
Trecho antigo da Ciclovia Rio Pinheiros, atualmente fechado e sem uso, devido às obras abandonadas do Metrô, obrigando o ciclista a enfrentar risco de assaltos no desvio localizado do outro lado do rio.

Ainda que a Ciclovia Rio Pinheiros tenha uma certa semelhança com a estrutura o vídeo (talvez devido a largura da pista) é nítida a diferença entre a ciclovia da CPTM e as européias.

Alguns dos erros mais comuns que vemos na Ciclovia Rio Pinheiros são:

– Sinalização ineficiente e confusa;
– Regulamento autoritário que não compreende as necessidades do ciclista e impossibilita o uso de alguns tipos de bicicletas e triciclos, inclusive hand-bikes para pessoas com mobilidade reduzida;
– Acessos com escadas e regulamentos em passarelas absurdos que impossibilitam a chamada “lei do menor esforço”, atrasando deslocamentos para empurrar a bicicleta;
– Ausência de prioridade aos ciclistas, percebida pela conduta dos funcionários e na própria sinalização;
– Geometria e projeto que torna ineficiente o uso como deslocamento;
– Falta de acessibilidade a pontos de interesse;
– Ausência de padrão das estruturas, conforme o Contran;
– Lombadas mal feitas (quase quadradas) que podem danificar uma roda de bicicleta;
– Compartilhamento com veículos motorizados grandes que trafegam em velocidade superior às bicicletas;
– Pista de carros sinalizada na contra-mão e em vermelho (padrão para bicicletas);
– Única ciclovia (via pública) do mundo que possui horário de funcionamento;
– Falta de iluminação;
– Falta de segurança;
– Ausência de controle e centralização das responsabilidades dos órgãos que administram as ciclovias ao longo do rio.

Além de tudo isso, há uma subestimação sobre as velocidades que uma bicicleta alcança, que pode variar entre 10km a 60km/h, dependendo do modelo e destinação do uso. Portanto, uma velocidade máxima de 40km/h, talvez seja satisfatória para todos os usuários da ciclovia, desde treino ao meio de transporte.

Mas há muito o que fazer para melhorar tal estrutura. Algumas dessas melhorias são alguns tópicos específicos, que englobam os itens acima, que precisam ser dialogados com os ciclistas, associações e coletivos que usam a estrutura cicloviária.

Confira como são as dificuldades de se trafegar entre a Ciclovia Rio Pinheiros e a Ciclovia da Margem Oeste:

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Um comentário em “Velocidade de 20km/h na Ciclovia Rio Pinheiros​? O que acha disso?

  1. Que coisa mais idiota limitar a velocidade dos ciclistas numa pista apropriada para treinos e deslocamentos, faço uso para me deslocar e treinar e nunca vi nenhum acidente entre ciclistas. O que vão fazer multar o ciclista com radar igual aos dos marronzinhos? Lamentável.

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