Ciclistas cobram ciclovia em viaduto inaugurado pela SP Obras

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Print do post da SPObras sobre o viaduto da Av. Dr. Lino de Moraes Leme (Facebook)

No dia 24 de março a SPObras, empresa da Prefeitura da Cidade de São Paulo, inaugurou o viaduto da Avenida Doutor Lino de Moraes Leme, na Zona Sul. O viaduto passa sobre a Av. Jornalista Roberto Marinho (antiga Águas Espraiadas), ligando o Jardim Aeroporto com os bairros da Vila Mascote/Vila Santa Catarina.

Esperada pelos moradores há tanto tempo, a obra veio incompleta. O novo viaduto não possui ciclovia, algo que está sendo duramente criticado no Facebook da SPObras. Vários cidadãos questionaram porque o viaduto ainda não possui ciclovia, algo que é obrigatório por lei.

A Lei 10.907, regulamentada pelo Decreto 34.853, é clara: “Fica estabelecido para as construções de avenidas, no Município de São Paulo, a partir da publicação desta lei, da obrigatoriedade de demarcação, de espaços para ciclovias.“. Ou seja, toda nova avenida, túnel, ponte ou viaduto que for construída deve vir com ciclovia.

Novamente, a SPObras descumpre essa lei. Casos como o da Av. Santo Amaro, que será requalificada sem ciclovia, da Av. Cecilia Lottemberg e da Av. Chucri Zaidan deixam claro o descaso dessa empresa pública com a segurança dos cidadãos que se deslocam de bicicleta. Nos casos citados, até agora a estrutura cicloviária não existe ou está incompleta. Na Santo Amaro não será feita ciclovia (entenda aqui).Na Cecília Lottemberg ainda faltam tachões, segregadores e parte da sinalização (veja aqui). Na Chucri Zaidan, foram instalados postes no espaço reservado para a ciclovia (veja aqui).

Sobre a Avenida Santo Amaro, assine o abaixo-assinado clicando aqui.

Nas imagens abaixo é possível perceber que a SPObras não responde aos questionamentos dos cidadãos. Ao mesmo tempo tenta colocar a culpa na CET, que deveria ser responsável pelo projeto do viaduto e da ciclovia. Independente de quem seja a responsabilidade, é preciso que a ciclovia seja implantada o quanto antes. É preciso que a SPObras, como empresa pública, siga a legislação municipal. É preciso implantar a ciclovia pois não podemos colocar as pessoas em risco.

Cabe a nós, cidadãos, continuar cobrando a SPObras e a CET. Ambas continuam descumprindo a lei e, dessa forma, colocando vidas em risco. Entre na página da SPObras clicando aqui e questione a falta de ciclovia no novo viaduto da Avenida Doutor Lino de Moraes Leme. Compartilhe esse post e vamos pressionar o poder público para que ele siga as leis e implante ciclovias para proteger pessoas!

Abaixo, a lei na íntegra:

LEI Nº 10.907, DE 18 DE DEZEMBRO DE 1990.

(Regulamentada pelo Decreto nº 34.854/1995)
DISPÕE SOBRE A DESTINAÇÃO DE ESPAÇOS PARA CICLOVIAS NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

(P.L. nº 382/89 – Vereador Walter Feldman)

Eduardo Matarazzo Suplicy, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, faz saber que a Câmara Municipal de São Paulo, nos termos do § 7º do art. 42 da Lei Orgânica do Município de São Paulo promulga a seguinte Lei:

Art. 1º Fica estabelecido para as construções de avenidas, no Município de São Paulo, a partir da publicação desta lei, da obrigatoriedade de demarcação, de espaços para ciclovias.

Parágrafo Único. Entende-se por ciclovias, espaços demarcados no leito carroçável de avenidas, exclusivas para veículos que não contenham tração motora.

Art. 2º Fica estabelecido nas atuais avenidas, de acesso aos parques públicos do município, demarcação de ciclo-faixas, destinadas aos usuários nos sábados e domingos

Art. 3º As despesas decorrentes desta lei, correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Art. 4º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Câmara Municipal de São Paulo, 18 de dezembro de 1990.

EDUARDO MATARAZZO SUPLICY
Presidente 

Faça sua parte, questione a SPObras clicando aqui e pressione a Prefeitura para que a Avenida Santo Amaro tenha uma ciclovia clicando aqui.

 

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang / Paulo Alves)

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Como foi a audiência pública da ciclovia da Rua Domingos de Morais

No dia 13 de março o Bike Zona Sul participou da audiência pública sobre a ciclovia da Rua Domingos de Morais. Estavam presentes moradores, comerciantes e ciclistas dos bairros da  Vila Mariana, Vila Clementino, Saúde, Indianópolis, Ipiranga e Cursino. Também estavam presentes representantes da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT), da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), além de outras entidades como o Vá de Bike, Ciclocidade, CicloBR e o Muda Mooca, parceiros do BZS. Também vale destacar a presença de muitos ciclistas da região que não são afiliados a nenhuma entidade,  famílias com crianças pequenas que se deslocam de bicicleta diariamente e também da UNIFESP, que possui diversas instalações na Vila Clementino.

O secretário Sérgio Avelleda iniciou a audiência explicando que a Prefeitura tem utilizado o portal SP156 e o aplicativo Strava para mensurar o uso de ciclovias. Por isso, é importante que os ciclistas solicitem novas ciclovias através do SP156. Em seguida, foi apresentado o projeto da ciclovia, que será feita em 4 trechos distintos, conforme abaixo:

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Trecho 1 (azul claro) —  Da estação Vila Mariana (onde se inicia a ciclovia da R.Vergueiro) até a R.Sena Madureira, onde há cruzamento para as ruas Monsenhor Manuel Vicente/ Maurício Francisco Klabin, em frente ao supermercado Pastorinho. Nesse trecho a ciclovia será bidirecional sobre o canteiro central, que será alargado.

Trecho 2 (laranja) — Da R.Sena Madureira até as ruas Borges Lagoa/Pedro de Toledo. Nesse trecho a ciclovia passa a ser ao lado do canteiro central, substituindo uma das faixas de rolamento atuais.

Trecho 3 (rosa) —  Partindo da Borges Lagoa/Pedro de Toledo até a Rua Luis Góis, passando pelo trecho onde estavam as obras do Metrô Lilás. Nesse trecho a ciclovia será elevada sobre o canteiro central, conforme um trecho já entregue pelo Metrô (que tem uns 30 metros).

Trecho 4 (azul escuro) — Da Rua Luis Góis até a Alameda dos Boninas, onde começa a ciclovia da Avenida Jabaquara. Esse trecho curto será elevada e junto ao canteiro central, substituindo uma das pistas atuais.

Segundo a CET, a ciclovia deve ser bidirecional na maioria dos trechos e terá pelo menos 2,5 metros de largura. Como existem árvores na maior parte do trecho, imaginamos que a ciclovia da Rua Domingos de Morais terá trechos parecidos com a da Hélio Pellegrino e Bernardino de Campos. O trecho 3 seguirá o padrão adotado na Av.Paulista.

A implantação da ciclovia não será feita e nem paga pela Prefeitura, pois se trata de uma compensação de impacto viário. Isso quer dizer que um pólo gerador de tráfego (como um shopping ou escola, por exemplo) será responsável pela obra. Isso é uma compensação pelo impacto que uma reforma ou ampliação desse pólo causará à região. No caso, o pólo em questão é a ABEC, uma associação ligada ao Colégio Marista Arquidiocesano Santa Cruz. Para o colégio é importante concluir a obra o quanto antes pois ela é uma exigência para que ele esteja regularizado. Entretanto, isso não é uma garantia de que a obra será feita. Como a obra fica sob responsabilidade do pólo gerador de tráfego, a Prefeitura não tem controle sobre as datas ou qualidade dos materiais, cabendo à ela fiscalizar a obra. Entretanto, o secretário Avelleda afirmou que a obra será iniciada “nas próximas semanas”.

Durante a audiência os moradores cobraram outras ligações cicloviárias importantes para a região, listadas conforme abaixo:

  • Ruas Lins de Vasconcelos / Dona Júlia – ligando as ciclovias da Vergueiro / Domingos de Morais / Dionísio da Costa / Madre Cabrini
  • Rua Sena Madureira – ligando a ciclovia da R.Domingos de Morais ao Parque do Ibirapuera
  • Av. Ricardo Jafet / Prof. Abraão de Morais – ligando as ciclovias do Ipiranga, Saúde e Cursino [veja mais aqui]
  • Avs. Indianópolis / República do Líbano – ligando Vila Clementino / Vila Mariana / Moema [veja mais aqui]
  • Av. José Maria Whitaker
  • Av.  Engenheiro George Corbisier [veja mais aqui]
  • Ruas Luis Góis / 11 de Junho [veja mais aqui]

Leia mais sobre essas ligações aqui: Como conectar as ciclovias pela Vila Clementino

Também foram cobradas ciclovias em outras regiões:

  • Ipiranga e Cambuci, no entorno do Museu do Ipiranga / Parque da Independência. Moradores da região cobraram a CET quanto à ciclovia da Ricardo Jafet, com obras paradas desde o início de 2017.
  • Zona Oeste – Avenida Brasil, Av.Dr. Arnaldo, Av. Heitor Penteado e ligação com Pinheiros e ciclovia da Av. Sumaré

A UNIFESP, que possui um hospital, faculdade e diversas instalações na Vila Clementino se posicionou a favor da ciclovia na Rua Domingos de Morais. Além disso, reforçou que a ciclovia da Rua Coronel Lisboa não deve ser retirada. A universidade também sugeriu uma ligação entre o Parque do Ibirapuera, as ciclovias da R.Coronel Lisboa e R.Domingos de Morais, além da Av. José Maria Whitaker passando pelo hospital e faculdade.

Durante a audiência a CET foi cobrada sobre diversos pontos, listados abaixo:

  • Fiscalização nas ciclovias existentes (com radares e fiscais)
  • Manutenção (recapeamento e ressinalização) das ciclovias da França Pinto e Coronel Lisboa
  • Instalação de placas de convivência aos motoristas, ciclistas e pedestres, em especial na R.Augusta, Paulista e Faria Lima
  • Fiscalização das obras do Asfalto Novo, pois diminuíram o tamanho de ciclovias e faixas de pedestres, assim como o uso de material de baixa qualidade
  • Bicicletários nos terminais de ônibus e Metrô/CPTM, com ênfase no Vila Mariana e Santa Cruz, mas citaram outros), Avelleda disse que nos terminais que a SPTrans vai conceder para inciativa privada vai ter bicicletário + “vamos falar com o secretário responsável pelos terminais do Metrô e CPTM”
  • Foi questionado o valor da obra (secretário não sabia), orçamento para ciclovias (~R$8 milhões), prazo de entrega (Prefeitura não respondeu), custos do Asfalto Novo (
  • Foi questionada a origem do dinheiro do programa Asfalto Novo e porque esse dinheiro não está sendo usado em calçadas, ciclovias e faixas de ônibu
  • Críticas à CET/Secretaria de Mobilidade e Transportes por nenhuma ciclovia ter sido entregue em 2017 (o secretário Avelleda disse que o orçamento de investimentos foi cancelado)

Quanto à ciclofaixa das ruas Madre Cabrini-Coronel Lisboa, é importante que ela seja mantida pois se trata de uma importante ciclovia para a Vila Clementino, sendo utilizada para acessar a UNIFESP e o Hospital São Paulo. Ao mesmo tempo, a ciclovia da R.Domingos de Morais tem a função de ligar a Zona Sul ao Centro. O secretário Sérgio Avelleda afirmou que a ciclofaixa da Coronel Lisboa não enáo será retirada e nem poderia ser removida sem antes uma audiência pública específica para abordar este tema.

A notícia parece boa, mas é importante continuarmos cobrando a Prefeitura até a ciclovia estar concluída! Vamos pressionar e tirar as ciclovias do papel! Assine e compartilhe nossas petições:

www.change.org/CicloviaNaDomingos

www.change.org/InterligarAsCiclovias

 

Veja parte da audiência aqui!

Leia mais sobre a audiência no texto do Lucian de Paula, um dos companheiros do Bike Zona Sul na audiência!

Entenda mais sobre as ligações cicloviárias do Sudeste de São Paulo aqui.

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang / Paulo Alves / Marivaldo Lopes)

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Opinião: furar o farol não é ‘acidente’

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“Evite acidentes” (foto: Thomas Wang/BZS)
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“Quem respeita a vida respeita o semáforo” (foto: Thomas Wang/BZS)

A primeira vista as fotos acima não tem nada de especial, apenas o trânsito parado na Rua Vergueiro. Sabemos que é um domingo pois temos um guarda sol da ciclofaixa de lazer.

Entretanto, não é sobre o trânsito da Rua Vergueiro que  vamos falar. Esse trecho é sempre parado, independente da hora do dia. Isso não é novidade. E, todos sabemos, a região possui faixas de ônibus, duas linhas de Metrô e ciclovias, então não é necessário ir de carro para lá.

É sobre a mensagem no gigantesco painel eletrônico que vamos falar. Como podemos ver nas fotos, é uma mensagem com duas partes. Uma diz “Evite acidentes”. A outra diz “Quem respeita a vida respeita o semáforo“.

Acho que todo mundo sabe para que serve o semáforo. Até crianças sabem que verde quer dizer “siga“, amarelo quer dizer “atenção, diminua” e vermelho “pare“. A principal função dele é organizar cruzamentos, fazendo com que carros de vias diferentes tenham tempo para cruzar a via sem colidir com outros.

Se o motorista desrespeita o semáforo quando ele está vermelho, não é um ‘acidente’. Ele estava vermelho e o motorista sabe que devia esperar o sinal ficar verde. Se ele escolheu passar no vermelho e causou uma colisão, isso não é ‘acidente’. É um acidente para o motorista do outro carro, para quem o sinal estava verde. Esse motorista não tem culpa da colisão. Quem tem culpa é o motorista que ‘furou’ o semáforo.

Veja o exemplo prático:

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Se o semáforo está verde para o carro rosa, o carro azul deve esperar. Caso o carro azul passe no vermelho e atinja o carro rosa, o motorista do carro azul é culpado por causar uma colisão. Mas, para o motorista do carro rosa, se trata de um acidente, pois para ele o farol estava verde. Caso o carro rosa atinja o azul, continua sendo um acidente para o motorista do carro rosa, pois o semáforo estava verde para ele. Ainda se trata de uma colisão para o carro azul, pois o motorista sabia que não devia prosseguir.

Ou seja, a colisão não é um acidente pois o motorista do carro azul sabe que deve esperar. Ele sabe que deve esperar pois o semáforo está vermelho (fechado) para ele. Simples assim.

Quando a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vão entender que existe uma diferença entre “acidentes” e “colisões”?

Claro que há casos e casos, mas isso é o que diz o Código de Trânsito Brasileiro. Semáforo vermelho, espere abrir. Não cause colisões que resultam em mortes e feridos se não for necessário. Se for ‘furar’ o vermelho, tenha um bom motivo (como estar levando alguém ao hospital), tome o máximo de cuidado e sinalize suas ações.

Mas está na hora de todos entenderem que acidentes e colisões são coisas diferentes. Em especial a Prefeitura e a CET.

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

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Registro Fixed Gear será lançado nesta sexta!

Nesta sexta o Bike Zona Sul participará do lançamento do livro Registro Fixed Gear! Uma das autoras do livro-reportagem é Ianca Loureiro, uma das editoras do Bike Zona Sul.

Na sexta teremos uma roda de conversa, boas companhias e muita troca de ideias! O evento começará às 18h, no Las Magrelas, uma bicicletaria-bar que fica na Rua Artur de Azevedo, 922, no bairro de Pinheiros.

Para mais informações, clique aqui e veja o evento no Facebook!

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

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