Novo plano cicloviário de SP foi feito sem ciclistas e vai remover ciclofaixas

Na sexta passada, 03/08, o prefeito Bruno Covas e o secretário de Mobilidade e Transportes João Otaviano apresentaram o novo plano cicloviário de São Paulo (veja nosso vídeo aqui). Ciclistas foram impedidos de entrar, apesar do assunto da apresentação. Apenas Sasha, secretário da Câmara Temática de Bicicleta (CTB), e Carla Moraes, da CTB e do Bike Zona Sul, conseguiram entrar. Os demais convidados eram jornalistas de grandes canais, como CBN e Jovem Pam.

Falta de diálogo

Durante a coletiva o secretário João Otaviano chegou a afirmar que o plano havia sido debatido na Câmara Temática de Bicicleta (CTB), mas mudou o discurso ao ser questionado pelos membros da Câmara. O plano e sua divulgação foram feitos sem diálogo com a CTB, entidades, coletivos e ciclistas independentes, por isso surge a desconfiança de que a Prefeitura está tentando agir sem consultar a população. Um fato curioso é que a CTB teve reunião com a Secretaria de Mobilidade e Transportes (SMT) na quarta, dois dias antes do anúncio do plano, mas não deu nenhuma informação sobre o plano ou sobre a coletiva durante a reunião. Dias antes dessa reunião, a Câmara Temática de Bicicleta publicou uma carta aberta à Prefeitura e aos Cidadãos (leia aqui). Na carta a CTB questiona a falta de diálogo por parte da Prefeitura e se coloca à disposição do poder público para auxiliá-lo de forma técnica, conforme seu caráter.

A apresentação foi genérica e sem detalhes, sendo que não trouxe prazos ou valores que serão investidos, algo bem crítico. Desde Janeiro de 2017, quando a gestão João Dória/Bruno Covas (PSDB) assumiu, nenhuma ciclovia/ciclofaixa foi implantada na cidade. A prefeitura foi criticada recentemente pela Folha de São Paulo (veja aqui) por não utilizar o orçamento existente para implantação de novas estruturas, assim como pela falta de manutenção nas existentes.

E o Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob)?

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À esquerda, o PlanMob de 2015. À direita, o plano cicloviário apresentado por Bruno Covas. (Imagem do Vá de Bike)

Analisando a imagem acima fica claro que o plano apresentado pelo prefeito Bruno Covas não passa de um rascunho. Ele mostra dois cicloanéis e 6 eixos cicloviários ligando os bairros ao Centro. Fica clara a falta de conexões entre as ciclovias/ciclofaixas existentes, que nem aparecem no mapa.

No mapa da esquerda temos o Plano de Mobilidade Urbana de 2015 (PlanMob), elaborado após muito diálogo com cidadãos, associações e coletivos, como nós do Bike Zona Sul. Nele, as linhas representam diferentes infraestruturas cicloviárias que serão implantadas, de acordo com o cronograma de implantação. O PlanMob é detalhado, informando onde será implantada a estrutura, qual o tipo de estrutura, suas alternativas e em qual ano a obra será feita. É necessário que a gestão atual da Prefeitura respeito o PlanMob, que foi construído e debatido com a sociedade.

Ao afirmar que “as ciclovias foram feitas como orégano na pizza“, Bruno Covas mostra seu desconhecimento sobre o diálogo construído entre a Prefeitura e diversas entidades ao longo de anos. Ele também mostra o desrespeito em relação à experiência adquirida nesse processo, nos aspectos técnicos e sociais do PlanMob.

O novo plano cicloviário

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Um dos slides da apresentação da Prefeitura. No destaque, o cicloanel do Centro.

Bruno Covas e João Otaviano apresentaram a ideia de cicloanéis: grandes círculos com ciclovias que conectariam todas as regiões da cidade. Um deles seria no Centro antigo, enquanto outro abrangeria o Centro expandido. A princípio a ideia parece promissora, mas ela possui alguns defeitos… Citamos alguns abaixo:

  • São citadas ciclovias nas margens dos rios Tietê e Pinheiros, que não são de gestão da Prefeitura. Seria necessário alinhar essas estruturas com o Governo do Estado, EMAE, SABESP, CPTM e outras empresas público-privadas que utilizam as margens dos rios. Como sabemos pela Ciclovia do Rio Pinheiros, esse tipo de gestão compartilhada é falha e possui uma burocracia interminável.
  • Os ciclistas teriam que chegar aos anéis para acessar o um dos eixos cicloviários (mais abaixo), mas como seria esse acesso sem ciclofaixas/ciclovias nos bairros e avenidas menores?
  • Por praticidade, ciclistas buscam rotas mais curtas, então a maioria dos ciclistas não faria um desvio para acessar os anéis e, a partir deles, encontrar algumas avenidas com ciclovias.

Fica a dúvida: o prefeito e o secretário esperam que os ciclistas façam trajetos mais longos para poder acessar algumas ciclovias? Não seria mais fácil conectar as ciclovias existentes? (Veja exemplos aqui, aquiaqui e aqui). E que tal prosseguir com a implantação das estruturas já previstas, muitas delas projetadas e com orçamento reservado? Veja aqui, aqui e aqui.

Ciclorrotas e a remoção de ciclofaixas

Quem pedala sabe: ciclorrotas não protegem ninguém. É necessário implantar ciclovias e ciclofaixas pois elas trazem segurança aos ciclistas e demais pessoas! Se hoje, com algumas ciclovias e ciclofaixas, o número de ciclistas mortos no trânsito continua aumentando, imagina com a remoção da infraestrutura existente?

Além disso, o desrespeito às ciclofaixas é constante, mas mesmo assim a fiscalização tem diminuído. Isso só reforça a impunidade, o que põe em risco e vida de todos.

A Prefeitura não fornece prazos para a implantação de novas estruturas de proteção aos ciclistas, mas já sinalizou que removerá ciclofaixas. Como já divulgamos, as remoções já começaram ilegalmente (veja aquiaqui e aqui).  O Vá de Bike citou algumas ciclofaixas que serão removidas na reportagem deles.

Quais são os próximos passos?

O secretário João Otaviano afirmou que o plano será debatido em audiências regionais, na qual a população poderá opinar sobre as estruturas existentes e as previstas. É importante que ciclistas de todas regiões participem para deixar claro que a infraestrutura existente não deve ser retirada. Precisamos conectar as ciclovias e ciclofaixas existentes, não removê-las.

Em breve faremos uma análise mais profunda sobre como a Zona Sul será afetada pelo novo plano. Também estamos buscando mais informações sobre as revisões cicloviárias, postaremos assim que soubermos de algo!

Entenda mais sobre o novo plano cicloviário nas páginas de outras entidades:

(Equipe Bike Zona Sul: Carla Moraes e Thomas Wang)

#BikeZonaSul  #VaiTerCiclovia #CicloviasSalvamVidas
#CidadesParaPessoas #SãoPauloPrasPessoas


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