Alex Gomes

Sou pesquisador e professor de história da arte. Tenho 35 anos e cresci no Jardim Icaraí, bairro próximo ao Grajaú.

Há 7 anos utilizo a bicicleta como principal meio de transporte e há 2 anos deixei de ter carro próprio. Graças a ela eu também cheguei ao meio acadêmico: no ano passado fiz meu mestrado no MAC-USP em que estudei a série “Ciclistas do Parque da Redenção” do pintor gaúcho Iberê Camargo. Dessa forma consegui unir dois grandes interesses meus: a bicicleta e as artes visuais.

Alex Gomes
Alex Gomes

Dentre os inúmeros benefícios que o uso da bicicleta me trouxe destaco uma nova relação com a cidade. Descobri outros caminhos nos velhos caminhos: desvios por vielas, parques ou outros locais antes inacessíveis (ou evitados) quando estava em um carro. Nesse processo, percebi de modo mais claro como histórias estão presentes nos lugares, que foram influenciados por intervenções que expressam características de culturas ou interesses específicos. Em outras palavras, observei que narrativas se espalham pela cidade.

Além das mudanças em relação ao espaço, a bicicleta me proporcionou uma nova relação com o tempo. Meus deslocamentos passaram a ocorrer a uma velocidade média de 15 km/h, com acelerações e reduções progressivas. O tempo do pedalar permite que ocorra uma maior percepção e processamento de informações. É um tempo favorável para sentir e compreender, propício à captação e ao reativamento de memórias da cidade (presente na arquitetura e no urbanismo), das pessoas (que contam sobre si mesmas até no modo como se apresentam) e até as minhas (o ato de pedalar é uma atividade que me remete à minha infância).

Dá vontade de falar muito mais sobre o que tem de bom em pedalar, mas deixo aqui uma frase que sintetiza pra mim: com a bicicleta os caminhos se transformam em destinos.

Contato: alexgomes@bikezonasul.org