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Novo plano cicloviário de SP foi feito sem ciclistas e vai remover ciclofaixas

Na sexta passada, 03/08, o prefeito Bruno Covas e o secretário de Mobilidade e Transportes João Otaviano apresentaram o novo plano cicloviário de São Paulo (veja nosso vídeo aqui). Ciclistas foram impedidos de entrar, apesar do assunto da apresentação. Apenas Sasha, secretário da Câmara Temática de Bicicleta (CTB), e Carla Moraes, da CTB e do Bike Zona Sul, conseguiram entrar. Os demais convidados eram jornalistas de grandes canais, como CBN e Jovem Pam.

Falta de diálogo

Durante a coletiva o secretário João Otaviano chegou a afirmar que o plano havia sido debatido na Câmara Temática de Bicicleta (CTB), mas mudou o discurso ao ser questionado pelos membros da Câmara. O plano e sua divulgação foram feitos sem diálogo com a CTB, entidades, coletivos e ciclistas independentes, por isso surge a desconfiança de que a Prefeitura está tentando agir sem consultar a população. Um fato curioso é que a CTB teve reunião com a Secretaria de Mobilidade e Transportes (SMT) na quarta, dois dias antes do anúncio do plano, mas não deu nenhuma informação sobre o plano ou sobre a coletiva durante a reunião. Dias antes dessa reunião, a Câmara Temática de Bicicleta publicou uma carta aberta à Prefeitura e aos Cidadãos (leia aqui). Na carta a CTB questiona a falta de diálogo por parte da Prefeitura e se coloca à disposição do poder público para auxiliá-lo de forma técnica, conforme seu caráter.

A apresentação foi genérica e sem detalhes, sendo que não trouxe prazos ou valores que serão investidos, algo bem crítico. Desde Janeiro de 2017, quando a gestão João Dória/Bruno Covas (PSDB) assumiu, nenhuma ciclovia/ciclofaixa foi implantada na cidade. A prefeitura foi criticada recentemente pela Folha de São Paulo (veja aqui) por não utilizar o orçamento existente para implantação de novas estruturas, assim como pela falta de manutenção nas existentes.

E o Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob)?

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À esquerda, o PlanMob de 2015. À direita, o plano cicloviário apresentado por Bruno Covas. (Imagem do Vá de Bike)

Analisando a imagem acima fica claro que o plano apresentado pelo prefeito Bruno Covas não passa de um rascunho. Ele mostra dois cicloanéis e 6 eixos cicloviários ligando os bairros ao Centro. Fica clara a falta de conexões entre as ciclovias/ciclofaixas existentes, que nem aparecem no mapa.

No mapa da esquerda temos o Plano de Mobilidade Urbana de 2015 (PlanMob), elaborado após muito diálogo com cidadãos, associações e coletivos, como nós do Bike Zona Sul. Nele, as linhas representam diferentes infraestruturas cicloviárias que serão implantadas, de acordo com o cronograma de implantação. O PlanMob é detalhado, informando onde será implantada a estrutura, qual o tipo de estrutura, suas alternativas e em qual ano a obra será feita. É necessário que a gestão atual da Prefeitura respeito o PlanMob, que foi construído e debatido com a sociedade.

Ao afirmar que “as ciclovias foram feitas como orégano na pizza“, Bruno Covas mostra seu desconhecimento sobre o diálogo construído entre a Prefeitura e diversas entidades ao longo de anos. Ele também mostra o desrespeito em relação à experiência adquirida nesse processo, nos aspectos técnicos e sociais do PlanMob.

O novo plano cicloviário

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Um dos slides da apresentação da Prefeitura. No destaque, o cicloanel do Centro.

Bruno Covas e João Otaviano apresentaram a ideia de cicloanéis: grandes círculos com ciclovias que conectariam todas as regiões da cidade. Um deles seria no Centro antigo, enquanto outro abrangeria o Centro expandido. A princípio a ideia parece promissora, mas ela possui alguns defeitos… Citamos alguns abaixo:

  • São citadas ciclovias nas margens dos rios Tietê e Pinheiros, que não são de gestão da Prefeitura. Seria necessário alinhar essas estruturas com o Governo do Estado, EMAE, SABESP, CPTM e outras empresas público-privadas que utilizam as margens dos rios. Como sabemos pela Ciclovia do Rio Pinheiros, esse tipo de gestão compartilhada é falha e possui uma burocracia interminável.
  • Os ciclistas teriam que chegar aos anéis para acessar o um dos eixos cicloviários (mais abaixo), mas como seria esse acesso sem ciclofaixas/ciclovias nos bairros e avenidas menores?
  • Por praticidade, ciclistas buscam rotas mais curtas, então a maioria dos ciclistas não faria um desvio para acessar os anéis e, a partir deles, encontrar algumas avenidas com ciclovias.

Fica a dúvida: o prefeito e o secretário esperam que os ciclistas façam trajetos mais longos para poder acessar algumas ciclovias? Não seria mais fácil conectar as ciclovias existentes? (Veja exemplos aqui, aquiaqui e aqui). E que tal prosseguir com a implantação das estruturas já previstas, muitas delas projetadas e com orçamento reservado? Veja aqui, aqui e aqui.

Ciclorrotas e a remoção de ciclofaixas

Quem pedala sabe: ciclorrotas não protegem ninguém. É necessário implantar ciclovias e ciclofaixas pois elas trazem segurança aos ciclistas e demais pessoas! Se hoje, com algumas ciclovias e ciclofaixas, o número de ciclistas mortos no trânsito continua aumentando, imagina com a remoção da infraestrutura existente?

Além disso, o desrespeito às ciclofaixas é constante, mas mesmo assim a fiscalização tem diminuído. Isso só reforça a impunidade, o que põe em risco e vida de todos.

A Prefeitura não fornece prazos para a implantação de novas estruturas de proteção aos ciclistas, mas já sinalizou que removerá ciclofaixas. Como já divulgamos, as remoções já começaram ilegalmente (veja aquiaqui e aqui).  O Vá de Bike citou algumas ciclofaixas que serão removidas na reportagem deles.

Quais são os próximos passos?

O secretário João Otaviano afirmou que o plano será debatido em audiências regionais, na qual a população poderá opinar sobre as estruturas existentes e as previstas. É importante que ciclistas de todas regiões participem para deixar claro que a infraestrutura existente não deve ser retirada. Precisamos conectar as ciclovias e ciclofaixas existentes, não removê-las.

Em breve faremos uma análise mais profunda sobre como a Zona Sul será afetada pelo novo plano. Também estamos buscando mais informações sobre as revisões cicloviárias, postaremos assim que soubermos de algo!

Entenda mais sobre o novo plano cicloviário nas páginas de outras entidades:

(Equipe Bike Zona Sul: Carla Moraes e Thomas Wang)

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Como conectar as ciclovias em volta da Av. Rebouças

Observações:
1. O post tem links, mas pode clicar que eles vão abrir em novas guias, assim vc não perde esse post 😉
2. para não complicar vamos chamar todas as vias de ‘rua’, independente de serem avenidas, alamedas, ruas, etc…

O entorno do Parque do Povo possui algumas ciclovias e ciclofaixas, mas nem todas estão ligadas. Neste post falamos das existentes (vermelho) e também sugerimos outras, separando nas mais urgentes (verde) e em outras necessárias (azul escuro). Veja mais abaixo!

A INFRAESTRUTURA CICLOVIÁRIA ATUAL

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Mapa da infraestrutura atual (Fonte: CET)
  1. Ciclovia da Av. Brigadeiro Faria Lima: uma das mais movimentadas de São Paulo, elevada no canteiro central da avenida. Cerca de 3 mil ciclistas passam por ela todos os dias.
  2. Ciclofaixa da Rua Artur de Azevedo (sentido Faria Lima): bidirecional junto à calçada, muito movimentada devido ao comércio focado em ciclistas, como o Las Magrelas e King Of Fork.
  3. Ciclofaixas das ruas João de Moura e Artur de Azevedo (sentido Clínicas): bidirecional junto à calçada, conectam o Terminal Vila Madalena (ônibus e metrô) ao Hospital das Clínicas.
  4. Ciclovia da Sumaré/Paulo VI: elevada no canteiro central
  5. Ciclofaixa da Rua Itápolis: bidirecional junto à calçada, liga as ciclofaixas de Santa Cecília com as ciclofaixas das ruas Piauí e Consolação, além da ciclovia da Avenida Paulista.
  6. Ciclofaixa da Rua da Consolação / Ciclovia da Avenida Paulista: a Consolação é monodirecional junto à calçada, no lado direito da rua em ambos sentidos. Implantada após pressão do Bike Zona Sul e outros coletivos (veja aqui). A da Paulista também é uma conquista de todos após muita pressão, infelizmente, mortes.
  7. Ciclofaixa da Rua Honduras: bidirecional junto à calçada, passa pelo Jardim Europa e vai até o Parque do Ibirapuera / ciclofaixa da Rua Manoel da Nóbrega. Foi uma das primeiras implantadas pela gestão de Fernando Haddad e houve pressão popular após alguns moradores se posicionarem contra.

 

AS CONEXÕES ESSENCIAIS

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  1. Ligação da Rua Artur de Azevedo: trecho curto (são somente 2 quadras!) que pode ser sinalizado com ciclofaixa. É necessário tomar cuidado extra no cruzamento com a Av.Henrique Schaumann.
  2. Rua Estados Unidos: outro trecho curto (3 quadras!) que pode ser sinalizado com ciclofaixa para ser uma rota segura entre as ciclofaixas da Artur de Azevedo, João de Moura e Honduras.
  3. Rua da Consolação (sentido Av.Brasil): poderia ser bidirecional junto à calçada, substituindo vagas de estacionamento em um dos lados da rua. Pelo que sabemos já possui projeto.
  4. Ligação entre a Sumaré/Paulo VI e a João de Moura: um trecho de aproximadamente 50 metros, é necessário reprogramar o farol e melhorar a sinalização da travessia de ciclistas ligando a ciclovia da Sumaré/Paulo VI e a ciclofaixa da João de Moura.
  5. Av. Doutor Arnaldo / Rua Teodoro Sampaio: trecho crítico, ambas ruas tem calçadas estreitas e faixas de ônibus. Na Teodoro a melhor opção é substituir a faixa de rolamento da esquerda por uma ciclofaixa bidirecional. Na Doutor Arnaldo pode ser estudada uma ciclovia no canteiro central seguindo o padrão da Paulista ou Vergueiro, mas são necessárias obras devido aos pontos de ônibus.
  6. Rua Oscar Freire: uma ciclofaixa ligaria a Teodoro Sampaio com a Consolação passando pela ciclofaixa da Artur de Azevedo. O mais simples é substituir as vagas de estacionamento do lado direito da rua.

OUTRAS CICLOVIAS/CICLOFAIXAS QUE SERIAM ÚTEIS

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  1. Avenidas Henrique Schaumann / Brasil: possuem várias faixas de rolamentos, mas calçadas estreitas e nenhuma infraestrutura para ciclistas. Poderia ser construída uma ciclovia no canteiro central de ambas, que é bem largo. Essa ciclovia de canteiro central poderia seguir o padrão da ciclovia da Faria Lima.
  2. Av. Rebouças: muito utilizada por ciclistas, poderia ser implantada uma ciclofaixa no mesmo modelo da existente na Rua da Consolação. Também poderia se conectar  com a estação Fradique Coutinho.
  3. Av. Doutor Arnaldo: a obra mais difícil desse post, poderia ser no canteiro central ou lado direito, mas teria que ser segregada devido às curvas e volume de veículos na avenida. Ligaria o Terminal Vila Madalena até a Av. Paulista.
  4. Rua Cardeal Arcoverde: poderia ser feita uma ciclofaixa do lado esquerdo da rua, ligando as ciclovias da Faria Lima e Sumaré/Paulo VI.

Com os mapas acima podemos perceber que existem algumas ciclovias/ciclofaixas no entorno da Avenida Rebouças, mas que elas ainda não estão conectadas. Apesar de haver alguma estrutura, o ciclista corre riscos em várias vias muito movimentadas, como as avenidas Henrique Schaumann, Brasil e a própria Rebouças. Trechos críticos como o cruzamento da Rebouças com a Henrique Schaumann não possuem nenhuma estrutura, o que deixa o ciclista em perigo.

Precisamos de mais ciclovias e ciclofaixas para ter a segurança no trânsito e proteger pessoas. A maioria das sugestões que apresentamos é simples e de baixo custo, podendo ser concluída rapidamente, o que evitará colisões, atropelamentos e mortes. Esperamos que o novo plano cicloviário considere sugestões como as nossas e seja focado em ciclistas e pedestres, como mandam o Código de Trânsito Brasileiro e o Plano Nacional de Mobilidade Urbana.

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

#BikeZonaSul #VaiTerCiclovia #CicloviasSalvamVidas

#PrioridadeParaOsPedestres #SãoPauloPrasPessoas


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Novo sistema de compartilhamento de bicicletas!

Na quinta passada compartilhamos a novidade que encontramos pelas ruas da cidade: uma bike do sistema de compartilhamento sem estações!

 

Nos últimos dias pesquisamos, entramos em contato com a Yellow, baixamos o aplicativo e encontramos outras bicicletas deles pela cidade. No aplicativo, a previsão é que a Yellow comece a operar dia 01/08. Abaixo, temos algumas fotos que a equipe do Bike Zona Sul tirou durante a semana.

A Yellow é primeira empresa brasileira de aluguel de bicicletas compartilhadas sem estação, pois as bikes possuem GPS. Elas vão ficar disponíveis em qualquer lugar, pois possuem uma trava na roda traseira.

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A trava preta por cima do paralamas. (Foto: Thomas Wang/Bike Zona Sul)

Por enquanto, as bikes amarelas espalhadas por São Paulo parecem ser parte da campanha de comunicação da empresa… Ao compartilhar a foto da bicicleta, talvez o ciclista ganhe um plano para testar o sistema, conforme post deles no Instagram:

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Yellow no Instagram.

Estamos ansiosos para ver como vai funcionar! Esperamos que tenha preços acessíveis e possa ser utilizado em toda cidade, sem distinção de bairros e sem burocracia!

Enquanto isso nos perguntamos: e as outras empresas? Quando as novas vão começar a operar? As atuais pretendem ampliar os sistemas? Será que também irão operar nas periferias?

Como é  possível ver abaixo, o Bike Sampa (patrocinado pelo Itaú e operado pela Tembici) ainda se concentra em um trecho da Zona Oeste. Atualmente só existem estações entre a Praça Panamericana, Avenida Brasil e Avenida dos Bandeirantes. Antes o sistema atendia uma área maior da cidade, passando pela Vila Clementino, Brooklin, Tatuapé, Mooca, Centro, Vila Leopoldina, Lapa e Pinheiros. Quando será que vai abranger todas esses bairros novamente?

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Mapa das estações atuais do BikeSampa (Tembici)

Além disso, o que o poder público está fazendo a respeito? A regulamentação adotada é fraca e quase não possui incentivos para as empresas que desejam atuar no ramo. É necessário que a Secretaria de Mobilidade e Transportes credencie mais empresas e, ao mesmo tempo, implante mais ciclovias. Também é necessário que as Prefeituras Regionais autorizem a instalação de estações de compartilhamento de bicicletas.

Apesar da parte regulatória ter sido definida pela SMT, as Prefeituras Regionais estão cooperando? Pois é de interesse dos cidadãos que esses sistemas sejam ampliados e atendam às necessidades das pessoas. Por exemplo, para instalar as estações são necessárias autorizações das Prefeituras Regionais, elas estão sendo emitidas? Onde os cidadãos podem acompanhar esse tipo de processo? Existem prazos?

Ficam os questionamentos do Bike Zona Sul à Prefeitura de São Paulo e suas Prefeituras Regionais. Infelizmente essa gestão não tem dialogado com entidades civis, coletivos e associações. Esperamos que o panorama melhore e os gestores públicos voltem a ouvir a população que os elegeu.

(Equipe Bike Zona Sul: Alex Gomes / Carla Moraes / Paulo Alves / Ianca Loureiro / Thomas Wang)

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Bruno Covas em Nova York discutindo segurança no trânsito?

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, está num encontro de prefeitos de várias cidades do Mundo discutindo, entre outras coisas, o tema de segurança no trânsito.

O encontro é promovido pela @Bloombergdotorg e Mike Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, nos Estados Unidos. Nós, ciclistas de SP, gostaríamos de saber quando conversaremos sobre o plano de revisão das ciclovias e ciclofaixas da cidade.

Covas já anunciou que irá divulgar o plano para a mídia e população SEM CONSULTAR quem mais está interessado em contribuir com a política pública: os ciclistas!

Ciclocidade #roadsafety #GRSLC2018 #participacao #fail#ciclocidade Bloomberg Mike Bloomberg

(Equipe Bike Zona Sul: Carla Moraes e Thomas Wang)

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Como conectar as ciclovias em volta do Parque do Povo

Observações:
1. O post tem links, mas pode clicar que eles vão abrir em novas guias, assim vc não perde esse post 😉
2. para não complicar vamos chamar todas as vias de ‘rua’, independente de serem avenidas, alamedas, ruas, etc…

O entorno do Parque do Povo possui algumas ciclovias e ciclofaixas, mas nem todas estão ligadas. Neste post falamos das existentes (vermelho) e também sugerimos outras, separando nas mais urgentes (verde) e em outras necessárias (azul escuro). Veja mais abaixo!

A INFRAESTRUTURA CICLOVIÁRIA ATUAL

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Mapa da infraestrutura atual (Fonte: CET)
  1. Ciclovia da Av. Brigadeiro Faria Lima: uma das mais movimentadas de São Paulo, elevada no canteiro central da avenida. Cerca de 3 mil ciclistas passam por ela todos os dias.
  2. Ciclovias da Rua Olímpiadas / Av. Engenheiro Luis Carlos Berrini: importante ligação das zonas Sul e Oeste, elevada no canteiro central, junto ao corredor de ônibus.
  3. Ciclofaixa da Rua Professor Artur Ramos: bidirecional, liga a ciclopassarela que dá acesso à Ciclovia Rio Pinheiros (4), mas é necessário usar uma passarela para pedestres por cima da Av. Cidade Jardim.
  4. Ciclovia Rio Pinheiros: ligação direta das zonas Sul e Oeste, porém possui poucos acessos e está interditada em alguns trechos devido às intermináveis obras do Metrô.
  5. Ciclofaixa da Av. Lineu de Paula Machado: bidirecional, liga ciclofaixas da região do Jardim Guedala ao Butantã/Morumbi (6) e às pontes Eusébio Matoso (que deveria ter uma ciclopassarela) e Cidade Jardim/Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo.
  6. Ciclofaixas Morumbi/Jardim Guedala: trechos bidirecionais e monodirecionais, importantes para conectar o Terminal Butantã com a Av. Lineu de Paula Machado (5), a USP e a ciclovia da Av. Eliseu de Almeida.
  7. Ciclofaixa da Rua Amarilis: começa na Rua Eng. Oscar Americano e vai até a Rua Pedro Avancine. A Prefeitura tentou apagar de forma ilegal, mas cicloativistas pintaram novamente. Até agora não foi sinalizada pela Prefeitura.

AS CONEXÕES ESSENCIAIS

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  1. Ponte Cidade Jardim / Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo: trecho mais perigoso da região, muitos dos ciclistas que se deslocam do Morumbi, Panamby, Osasco e outros bairros ‘além’ do Rio Pinheiros passam por ali todos os dias. Poderia ligar as ciclofaixas da Lineu de Paula Machado, os dois lados da Ciclovia Rio Pinheiros e a ciclopassarela do Parque do Povo.
  2. Parque do Povo / R. Brigadeiro Haroldo Veloso: as ruas Brigadeiro Haroldo Veloso poderia ligar a ciclopassarela do Parque do Povo e Rua Funchal/Berrini. Já as ciclofaixas das ruas Tabapuã e Horácio Laffer ligariam a Brigadeiro Haroldo Veloso com a ciclovia da Faria Lima.
  3. Rua Engenheiro Oscar Americano: ligaria a ciclofaixa da Amarilis com a ciclofaixa da Lineu de Paula Machado.
  4. Rua Alvarenga – Av. São Valério: conectaria o sistema do Jardim Guedala à Lineu de Paula Machado e Butantã de forma mais prática. Atualmente o ciclista tem que dar várias voltas entre as duas pontas, então uma ligação direta seria bem útil.

OUTRAS CICLOVIAS/CICLOFAIXAS QUE SERIAM ÚTEIS

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  1. Av. dos Tajurás: poderia ser implantada no canteiro central, como ciclovia elevada ou ciclofaixa junto aos canteiros. Protegeria ciclistas que não conhecem a Lineu de Paula Machado ou não desviam até ela por causa do seu destino.
  2. Parque Alfredo Volpi: ligaria as ciclofaixas da Amarilis com as do Jardim Guedala/Morumbi, fornecendo um caminho seguro para quem se desloca entre o Paineiras do Morumbi e o Butantã. Também seria usada para acessar o parque, o que favoreceria ciclistas de lazer e iniciantes.
  3. Av. Nove de Julho: ligaria o Parque do Povo (e todas ciclovias/ciclofaixas que chegam nele) à ciclofaixa da Rua Honduras e ciclovia da Avenida Paulista (passando pela Alameda Campinas). Pode ser feita ao lado direito das pistas, como a ciclofaixa da Rua da Consolação.
  4. Av. Juscelino Kubitschek: ligaria o Parque do Povo (e todas ciclovias/ciclofaixas que chegam nele) ao Parque do Ibirapuera de forma direta. Poderia ser uma ciclovia elevada no canteiro central ou ciclofaixa junto a ele. Os pontos mais críticos seriam os cruzamentos com a Faria Lima e Av. Santo Amaro.

É possível perceber que a região possui alguma infraestrutura para ciclistas, mas que ela ainda não está conectada. Temos várias ciclofaixas/ciclovias próximas, mas não existem ligações em pontos críticos, como a Ponte Cidade Jardim / Engenheiro Roberto Zucollo, muito utilizada pelos ciclistas mesmo tendo tráfego pesado.

Como é visível nas ruas, a quantidade de ciclistas aumenta todos os dias, por isso é necessário continuar investindo em infraestrutura cicloviária. Somente com mais ciclovias e ciclofaixas vamos ter a segurança necessária para proteger as pessoas.

Não queremos perder outros amigos por causa da imprudência, ciclovias são necessárias. Além disso, precisamos educar os motoristas e fiscalizar/punir os infratores. Somente dessa forma teremos uma São Paulo melhor e mais humana.

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

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Vamos cuidar dos canteiros… E a ciclovia da Rua Domingos de Morais?

Na semana passada a PRVM – Prefeitura Regional Vila Mariana e o Shopping Metrô Santa Cruz assinaram um termo de cooperação no qual o shopping se compromete a cuidar dos canteiros da Rua Domingos de Morais. O termo será publicado no Diário Oficial, mas por enquanto sabemos apenas que ele foi assinado. Tal parceria entre o poder público e empresas pode ser muito vantajosa para ambos os lados, desde que sejam efetivas.

Entretanto, queremos chamar atenção para o fato de que há uma ciclovia prevista no canteiro. A ciclovia da Rua Domingos de Morais é uma reivindicação antiga, como é possível ver aqui, aqui, aquiaqui e aqui.  Essa ciclovia já possui projeto feito pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego),  foi aprovada em audiência pública e possui responsável pelo financiamento e obras (Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, em frente ao shopping). Veja mais sobre a audiência pública clicando aqui.

Apesar de todo processo previsto em lei ter sido atendido, a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes e a Prefeitura de São Paulo não possuem informações sobre a obra. a CET e a SMT não informam um cronograma para as obras, não informar porque as obras não começaram e também não respondem aos questionamentos dos cidadãos e entidades. Se a gestão atual critica a anterior por não ter dialogado durante a implantação das ciclovias e ciclofaixas, por que não age de forma diferente?

Veja nosso relato da audiência pública clicando aqui.

Clique na imagem abaixo e deixe seu comentário cobrando a Prefeitura Regional da Vila Mariana, a CET e a Secretaria de Mobilidade e Transportes! A ciclovia já tem financiamento, projeto e foi aprovada, o que falta para a CET implantá-la?

Não queremos que alguém morra para conquistar o que é nosso por direito! Vamos continuar defendendo ruas seguras para pedestres e ciclistas!

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

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Sinalização para ciclistas.. Mas e as ciclovias?

Na segunda passada a Secretaria de Mobilidade e Transportes fez o post abaixo, falando da instalação da sinalização para ciclistas em algumas ciclofaixas/ciclovias do Centro de São Paulo. O link da página da Secretaria direciona para uma página da Assessoria de Imprensa da CET.

No comunicado, a CET explica que foram instaladas 76 placas em 12 quilômetros de ciclovias na região central. É citada a fala do secretário João Octaviano: “A proposta das placas é dar a noção de uma rede cicloviária na cidade. Depois do Centro e da Lapa, a ideia é expandir o projeto para outros bairros, mostrando que é possível ir de um lugar a outro de bicicleta em São Paulo, usando as ciclofaixas e ciclovias“. João Octaviano cita a Lapa, um bairro que possui apenas uma ciclofaixa (vide imagem abaixo, tirada do próprio mapa de infraestrutura cicloviária da CET).

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Mapa da CET que mostra a única ciclofaixa da Lapa, que liga a Vila Leopoldina até Perdizes, e sua extensão de três quadras que acaba no Poupatempo.

 

É difícil “dar a noção de uma rede cicloviária” quando há poucas (nesse caso, só uma) ciclofaixa. Como é possível perceber no mapa, há várias ciclofaixas e ciclovias próximas, mas elas ainda não estão conectadas. As placas são um avanço importante, mas ao invés de comemorar a instalação delas, a CET e a SMT não deveriam conectar tais ciclovias? 

Não se trata de ser contra a sinalização para ciclistas, pelo contrário, nós apoiamos essa sinalização. Tanto que começamos o diálogo com a Prefeitura em dezembro de 2015 (veja aqui). No começo de 2016 tivemos duas reuniões com a CET, nas quais sugerimos as informações que deveriam estar nas placas. Coincidência ou não, são exatamente as mesmas que estão nas placas atuais. Ainda no início de 2016, protocolamos e entregamos na CET/SMT um abaixo-assinado que pedia a criação e instalação de sinalização para ciclistas.

Depois de 2 anos, o então secretário de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda iniciou o projeto piloto dessa sinalização, na Avenida Paulista (veja aqui). Após Avelleda sair da SMT e João Octaviano assumir, não tivemos nenhuma novidade. Nem sobre placas, nem sobre ciclovias. Atualmente não temos mais contato direto com a Prefeitura, SMT ou CET, que não dialoga com a população ou com as entidades como o Bike Zona Sul.

Mesmo assim, cabe um tímido elogio ao que parece ser a primeira iniciativa de Octaviano em prol dos ciclistas. Mas ainda é muito pouco: temos cerca de 500 quilômetros de ciclovias/ciclofaixas, o que não é nada comparado aos 16.500 quilômetros de vias sem segurança e sem proteção. Esperamos que a Prefeitura e a Secretaria de Mobilidade e Transportes instalem as placas em todas ciclovias, mas esperamos mais que isso: esperamos que conectem as nossas ciclovias!

Outro ponto interessante levantado pela CET no seu comunicado é a parceria com a Bloomberg Philanthropies (leia mais sobre eles aqui).  Na visita dos representantes da Bloomberg à São Paulo também foi ‘doada’ uma ciclovia no Viaduto Bresser, que até hoje não foi implantada. Houve até a chamada para a audiência pública sobre a ciclovia, que foi postergada várias vezes e, por fim, cancelada. Diante disso, cidadãos sinalizaram uma ciclofaixa no local, que foi rapidamente apagada pela Prefeitura. Como começaram a usar o dinheiro doado pela Bloomberg, será que a SMT finalmente vai implantar as ciclovias entre o Centro e a Zona Leste? Fica essa dúvida, com ar de cobrança.

Enquanto isso, vamos pressionar a Prefeitura a instalar placas em todas ciclovias! Assine a petição: www.change.org/MapaDasCiclovias !

E vamos cobrar uma ciclovia da Zona Sul que já tem projeto, orçamento, já foi aprovada em audiência pública e até agora não saiu! Assine aqui: www.change.org/CicloviaNaDomingos !

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

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Opinião: a ciclovia como pista de corrida

Recentemente estava no Facebook e me deparei com esta imagem:

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Mesmo se eu não considerar os erros de digitação (“clicovia”), ela ainda me incomoda bastante. Concordo com ciclistas que dizem que ciclovias e ciclofaixas não são pistas de cooper/corrida, mas como já falamos antes, muitas vezes elas são usadas como calçada.

Além do respeito entre ciclistas e pedestres também é necessária educação entre ciclistas experientes e iniciantes, como também já comentamos.

Apesar disso, é comum encontrar pessoas caminhando ou correndo nas ciclofaixas. Isso acontece pois nossa cidade tem poucas áreas adequadas para a prática de esportes (como parques, por exemplo). Entretanto, é preciso lembrar que alguém que caminhe/corra nas ciclovias ainda é um pedestre. E o lugar de pedestres é na calçada, já que ciclovias/ciclofaixas são espaços dedicados para ciclistas, como diz o Código de Trânsito Brasileiro (CTB):

  • Ciclovia: pista destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.
  • Ciclofaixa: parte da pista de rolamento (faixas comuns) destinada à circulação exclusiva de ciclos, delimitada por sinalização específica.
  • Ciclo-rota (“rota de bicicleta”): rota sugerida para circulação de ciclos, reforçada por sinalização específica.
  • Ciclo: veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana.

É possível conviver com corredores, desde que todos se respeitem. Como se trata de um espaço dos ciclistas, a preferência deve ser deles. Conversamos com alguns ciclistas e corredores para listar algumas atitudes positivas e negativas, veja abaixo!

Para pedestres, corredores e corredoras

Atitudes recomendáveis para quem anda/caminha/corre nas ciclovias:

  • Andar/correr na contramão: permite que pedestres vejam os ciclistas se aproximando
  • Andar/correr no canto da ciclovia/ciclofaixa: permite que os ciclistas ultrapassem com segurança para ambos
  • Não usar fones de ouvido: permite que ciclistas avisem que estão passando através das ‘campainhas’ e falas/gritos
  • Não andar ‘lado a lado’: permite que os ciclistas ultrapassem os pedestres
  • Liberar a passagem: permite que os ciclistas ultrapassem os pedestres

Agora algumas das atitudes que mais irritam os ciclistas:

  • Andar/correr de costas: pode causar acidentes já que o esportistas não vê o ciclista se aproximando
  • Andar/correr no mesmo sentido dos ciclistas: pode causar acidentes já que o esportistas não vê o ciclista se aproximando
  • Andar/correr no centro da ciclovia/ciclofaixa: pode causar acidentes já que o ciclista não sabe por onde ultrapassar… Ele deve tentar pela esquerda ou pela direita?
  • Andar ‘lado a lado’ e obstruir a ciclovia: não dá espaço para os ciclistas ultrapassarem os pedestres
  • Usar fones de ouvido: impede que ciclistas avisem que estão passando através das ‘campainhas’ e falas/gritos
  • Não liberar a passagem: a ciclovia/ciclofaixa é um espaço para ciclistas, então a preferência deve ser deles, dê passagem

Para ciclistas

Atitudes recomendáveis que você deve ter quando encontrar pedestres nas ciclovias:

  • Avise que está passando: uma buzinada de leve ou fala “olha a bike” já são suficientes
  • Avise por onde vai passar (“bike na direita”, “bike passando na esquerda”)
  • Pedir licença: o espaço é nosso, mas não custa ser simpático (“bike querendo passar”)

Atitudes que não recomendamos pois podem causar acidentes:

  • Gritar/campainhas muito altas: assustam os pedestres e também outros ciclistas
  • Realizar ultrapassagens sem avisar: o pedestre não tem como adivinhar que tem um ciclista tentando ultrapassá-lo
  • Realizar ultrapassagens perigosas: colocam os dois em risco – Se o ciclista não gosta das ‘finas’ que os carros tiram dele, por que tirar ‘finas’ dos pedestres?

 

Independente de sermos ciclistas, todos somos pedestres e devemos respeitá-los. Mesmo se estiverem no nosso espaço. Pedestres, ciclistas e motociclistas são os que mais sofrem no trânsito, se nós não nos respeitarmos, como vamos sobreviver? Precisamos nos respeitar e nos unir para buscar melhorias como mais calçadas e mais ciclovias, assim como melhorias nas calçadas e ciclovias que existem.

 

Leia mais sobre a convivência em ciclovias nestes posts:

Por que pedestres andam nas ciclovias?

A relação entre ciclistas iniciantes e experientes

O bom senso nas ciclovias e ciclofaixas

 


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Foram mortes em vão?

[o início do post foi publicado originalmente em 2013]

Dia 01 de março homenageamos a Julie. Uma colega de pedal que foi atropelada na Avenida Paulista um ano atrás. Um motorista avançou nela. Para não ser atropelada mudou bruscamente para a pista de ônibus, passou num buraco, caiu e foi atropelada pelo ônibus que vinha atrás dela. Nunca pegaram o motorista que avançou nela. O motorista do ônibus a conhecia, depois que viu quem tinha atropelado, sentou no asfalto e chorou, em estado de choque.

Uma ghost bike está onde a atropelaram. A uma outra quadra de outra ghost bike, a da Márcia Prado. Duas mortes que teriam sido evitadas se a Prefeitura de São Paulo tivesse implantado o plano cicloviário da cidade, que previa uma ciclovia na Paulista.
O plano é de 2008 e nada foi feito até hoje, a despeito das duas mortes que já ocorreram. E agora um outro ciclista perde o braço por causa de um motorista embriagado? Mal as chamas de duas mortes começam a se apagar, outro acidente ocorre. Será que Márcia e Julie serão esquecidas? Foram suas mortes em vão?

[o trecho abaixo foi escrito dia 05/06]

Hoje temos a ciclovia da Avenida Paulista, dando segurança aos que se deslocam de bicicleta, patins, skate, pedestres e cadeirantes. As duas ghost bikes permanecem nos mesmos locais onde Márcia e Julie morreram. Como tantas outras ghost bikes por São Paulo.

De lá para cá conseguimos inúmeros progressos, cerca de 400 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Pode parecer muito, mas é pouco comparado aos 17000 (17 mil!) quilômetros de vias (ruas/avenidas/pontes/túneis/etc) que temos na cidade de São Paulo. Ou seja, temos segurança para pedalar apenas em 400 de 17000 quilômetros de ruas. Isso é equivalente a menos de 0,03% das ruas da nossa cidade.

Mesmo esse espaço sendo tão pequeno diante da dimensão da cidade, a Prefeitura de São Paulo está removendo as ciclofaixas que nos protegemNa Chácara Santo Antônio a Prefeitura/CET removeram a ciclofaixa da Rua José Vicente Cavalheiro sem comunicar o Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT), sem dialogar com os ciclistas e seus representantes (como o Bike Zona Sul e a Câmara Temática de Bicicleta) e nem avisar aos ciclistas/moradores da região.

Nesse trecho, a ciclofaixa deveria migrar da Rua Fernandes Moreira para a Rua Alexandre Dumas. Entretanto, a Prefeitura removeu a ciclofaixa sem debate ou aviso. Essa remoção coloca ciclistas em risco e também demonstra como falta transparência por parte do Executivo Municipal com a sociedade. Ela também reforça como a gestão Dória-Covas tem tratado os ciclistas e seus representantes.

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A ciclofaixa da Rua José Vicente Cavalheiro foi removida e substituída por uma ciclo-rota sem diálogo, debate ou aviso. (Foto: Paulo Alves/BZS)

 

Mesmo diante da falta de respeito às leis e da falta de diálogo da atual gestão da Prefeitura (Dória-Covas), nós do Bike Zona Sul vamos continuar lutando por uma cidade mais segura e mais humana. Faremos isso pois ainda precisamos garantir a segurança de todos, precisamos de mais ciclovias, pela cidade toda. Em todas ruas onde haja uma faixa de ônibus. Em todas avenidas, pontes e viadutos.

Não queremos e não podemos perder mais amigos. Precisamos de ciclovias para proteger as pessoas. E vamos continuar defendendo os mais fracos no trânsito. Vamos continuar defendendo que São Paulo seja focada nas pessoas. Não vamos deixar que as mortes de amigas como a Julie tenham sido em vão.

Homenagem à Julie que fiz quando soube que ela tinha sido atropelada.

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang e Paulo Alves)

#BikeZonaSul  #VaiTerCiclovia #CicloviasSalvamVidas

#CidadesParaPessoas #SãoPauloPrasPessoas


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Opinião: O bom senso nas ciclovias e ciclofaixas

De vez em quando saio com meu pai e minha irmã para pedalar na Ciclofaixa de Lazer, que é montada aos domingos e feriados em algumas avenidas de São Paulo. Geralmente eu vou na frente, minha irmã no meio e meu pai no final da fila. Fazemos isso pois eu que penso na rota, enquanto meu pai protege minha irmã, que é menor e menos experiente. Por ser a Ciclofaixa de Lazer, geralmente ficamos à esquerda para liberar a passagem pelo lado direito, que é mais próximo dos cones e demais veículos. Isso permite que um ciclista mais veloz saia da Ciclofaixa e utilize a pista da esquerda para nos ultrapassar.

Quando estávamos na Avenida Paulista, um ciclista de speed tentou ultrapassar minha irmã pela esquerda, entre ela e a guia. Como o espaço não era suficiente, ela se assustou quando ele forçou a ultrapassagem e a ‘jogou’ para a direita da faixa. Eu, que já tenho o hábito de olhar para trás para me precaver, percebi a imprudência. Estava no meio da faixa, mas fiz questão emparelhar com o ciclista que estava na minha frente e ocupar o lado esquerdo da faixa, obrigando o imprudente a diminuir. Ele tentou forçar a passagem, então freei de leve e a roda da frente dele pegou na minha traseira. Ele reclamou e eu respondi dizendo que ele deveria ter mais cuidado. Ele ficou irritado e me xingou, eu falei que a Ciclofaixa de Lazer não era um velódromo. Meu pai chegou alguns segundos após ele me xingar, tentou acalmar os ânimos e conversar com ele.

Durante a discussão, explicamos os fatores que me fizeram obrigá-lo a parar:

  • Ele fez uma ultrapassagem sem sinalizar ao ciclista que ele ia ultrapassar – e a bike dele não possuía campainha/apito para avisar que ia realizar a ultrapassagem
  • Ele forçou uma ultrapassagem quando não havia espaço suficiente, colocando o outro ciclista (minha irmã) em risco – ele podia ter derrubado ela no susto ou com um esbarrão
  • Ele não diminuiu quando sinalizei que ia parar – e bateu na minha traseira
  • Ele bateu na minha bicicleta – e ainda reclamou

Mesmo após explicar o risco que ele causou, em especial para minha irmã, ele continuava achando que estava correto. Quando foi embora, me xingou ao passar. Essa atitude mostra que ele ainda não sabe conviver. Não sabe respeitar os demais ciclistas, nem mesmo os mais frágeis.

O Bike Zona Sul já escreveu sobre convivência nas ciclovias e ciclofaixas em diversos posts, desde 2015 (neste post) até alguns mais recentes, como este, que trata da relação entre ciclistas iniciantes e experientes.

Na lógica daquele ciclista, como ele era mais rápido ele podia ultrapassar minha irmã da forma que ele quisesse, independente do risco que isso tivesse para ela. Essa é a mesma lógica usada por motoristas que desrespeitam o Artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro e tiram ‘finas’ dos ciclistas. É a mesma lógica que coloca todos pedestres e ciclistas em risco.

A bicicleta deve ser uma ferramenta de convivência e humanização do espaço público. Ela tem o poder de tornar todos semelhantes, de mudar a nossa percepção de espaço e ocupação da cidade. Ela deve ser usada com respeito e cuidado, em especial aos mais frágeis. Não existe argumento nem ‘desculpa’ que justifique colocar as pessoas em risco, em especial aqueles que estão mais expostos à violência do trânsito, como pedestres e ciclistas.

Estar em uma bicicleta não te faz melhor que ninguém, mas pode te tornar um elemento de mudança para as pessoas que convivem com você. Tanto nas suas relações pessoais quanto no trânsito. Somente com bom senso e respeito vamos construir uma cidade mais humana e focada nas pessoas. É preciso que cada ciclista assuma esse compromisso e aprenda a conviver com os mais frágeis, assim como esperamos que os motoristas nos respeitem quando estamos nas ruas.

(Equipe Bike Zona Sul: Thomas Wang)

#BikeZonaSul #CicloviasSalvamVidas #VaiTerCiclovia

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