Rota Márcia Prado

Esse é definitivamente um dos melhores roteiros de cicloturismo do Brasil, que se inicia na Zona Sul de São Paulo. É o sonho de muitos ciclistas, que ainda não experimentaram a maravilhosa sensação de liberdade que é ir para a Baixada Santista de bicicleta.

Uma viagem sem igual com muito verde, que liga o planalto paulistano à Baixada Santista, em paisagens impressionantes, desde o Pólo de Ecoturismo de São Paulo até o litoral, passando pelo maravilhoso Parque Estadual da Serra do Mar. Afinal, o melhor de tudo é o caminho, e não apenas o destino…

Bike Zona Sul - Represa Billings
As paisagens incríveis começam ainda na travessia de balsa para Ilha do Bororé, Pólo de Ecoturismo de São Paulo. Foto: Represa Billings

Todos os finais de semana, vários grupos de ciclistas, vindos de diversas partes do país e do mundo realizam esse trajeto, especialmente no segundo domingo de Dezembro, data que já se tornou tradição entre os ciclistas paulistanos e visitantes, levando milhares de pessoas a utilizar a bicicleta como meio de transporte e turismo.

Essa rota comprova que existem muitos ciclistas em São Paulo e que há um grande potencial de pessoas que querem viajar de bicicleta, sendo essencial a oficialização total de rotas como a Estrada de Manutenção e a liberação da Rodovia Caminho do Mar para ciclistas. Também mostra que há uma necessidade urgente pela construção de ciclovias e a criação de ciclorrotas, através de placas de sinalização que liguem à esses trajetos com a segurança, o que é um dever do poder público em promover.

Rota Márcia Prado Bike Zona Sul
Inúmeras cachoeiras são encontradas pelo trajeto da Estrada de Manutenção, que liga a Rodovia dos Imigrantes à Cubatão.

O evento anual pela Rota Márcia Prado geralmente consiste em reunir uma grande concentração de ciclistas, que realizam o desafio de descer a Serra do Mar, de forma totalmente independente, ou seja, com seus próprios meios, recursos, ritmo e velocidade, utilizando a rota que leva o nome em homenagem à cicloativista Márcia Prado. Inicialmente era organizado por instituições em prol da bicicleta como meio de transporte, mas devido à impedimentos impostos pelas concessionárias das rodovias, atualmente a própria sociedade civil realiza uma ação colaborativa sem líderes, sem organizadores ou carros de apoio, assim como as bicicletadas que existem pelas ruas das cidades.

A idéia é aproveitar a liberdade e os direitos, previstos em lei, de utilizar a bicicleta como meio de transporte, para ir e vir a qualquer lugar do nosso país, inclusive em rodovias. O trajeto passa por vias urbanas, rurais e de mata atlântica, onde teoricamente é possível trafegar com qualquer tipo de bicicleta, desde que esteja em boas condições de uso.

Desde a região dos mananciais, o trajeto passa pelas balsas da Represa Billings na Ilha do Bororé, estradas de terra batida na zona rural de Taquaquecetuba (São Bernardo do Campo) e paisagens impressionantes na Estrada de Manutenção da Dersa, que nos leva até Cubatão e por fim, a chegada em Santos. Explicaremos resumidamente como é esse trajeto e como os ciclistas geralmente fazem para realizar esse percurso.

Rota Márcia Prado Bike Zona Sul
Ciclovia da Av. Atlântica, que liga a Ciclovia Rio Pinheiros (Margem Oeste) às proximidades da Av. Sen. Teotônio Vilela.

 

TRECHO URBANO

O trajeto começa no Grajaú, Zona Sul de São Paulo, onde os ciclistas podem vir diretamente de trem até a estação de mesmo nome do bairro, mas caso queira vir pedalando também é possível pela Ciclovia Rio Pinheiros (Margem Oeste) até o final no Socorro, onde existe também a Ciclovia da Av. de Pinedo e Av. Atlântica. Depois, basta pegar as vias próximas da Av. Sen. Teotônio Vilela para chegar ao Grajaú com mais facilidade.

Outra opção na Ciclovia Rio Pinheiros, é atravessar a Ponte João Dias e seguir sentido Interlagos até a Av. Miguel Yunes, onde é possível prosseguir pelas ciclovias da ponte Vitorino Goulart e depois pela Ciclovia da Av. Lourenço Cabreira. Ao final da subida da Av. Manoel Alves Soares, basta pegar a Rua Jequirituba e prosseguir para a Av. Dona Belmira Marin. Contudo, devido aos assaltos relatados na Ciclovia Rio Pinheiros (Margem Oeste), recomenda-se ir em grupo.

Para ir sozinho ou em grupos pequenos, a melhor opção é a Ciclovia da Berrini, seguindo pela Av. Dr. Chucri Zaidan e Rua José Guerra. Após a rotatória, basta seguir pela ciclofaixa da Rua Visconde de Taunay, que cruza a Av. João Dias e chega a Santo Amaro. Depois, basta seguir rumo à Ponte do Socorro para chegar à Ciclovia da Av. Atlântica.

Veja essas indicações no mapa.

Ciclovia da Berrini Bike Zona Sul
Ciclovia da Av. Eng. Luís Carlos Berrini
Ciclovia da Margem Oeste Bike Zona Sul
Ciclovia da Margem Oeste do Rio Pinheiros

A Av. Dona Belmira Marin é uma via de intenso comércio localizada no Grajaú, o bairro mais populoso da cidade, que possui mais moradores que 97% das cidades do Estado de São Paulo. O resultado são ruas com muito movimento, trânsito intenso de carros e ônibus sempre muito lotados em meio à muitas subidas. O Grajaú também é um dos bairros com maior número de viagens de bicicleta como meio de transporte na cidade, mas infelizmente esse número vem caindo devido à falta de ciclovias na região. Ainda assim, o número de bikes no bicicletário da Estação CPTM no bairro é surpreendente durante os dias da semana.

Belmira Marin Bike Zona Sul
1ª Descida da Av. Dona Belmira Marin

Logo no início da Belmira Marin, os ciclistas enfrentam uma longa subida, onde geralmente dá pra subir em grupo utilizando a faixa de ônibus. Porém, os ciclistas que estão sozinhos ou em dupla, acabam preferindo subir a via utilizando a calçada do sentido centro como “ciclovia” devido à falta de opção, pois mesmo não sendo o correto é a única forma de se deslocar com mais segurança na avenida. Já nas descidas, a faixa de ônibus é um auxílio para o trajeto, onde a única preocupação são os ônibus e alguns poucos carros que invadem a faixa. Poucos sabem, mas as faixas de ônibus também são dedicadas aos ciclistas, pois são as únicas faixas de rolamento à direita das vias públicas.

Logo após a primeira descida, passamos pela garagem da Viação Cidade Dutra, mais conhecida como a antiga “Bola Branca”, onde também vem alguns altos e baixos curtos mas intensos até chegar ao BNH do Grajaú, local onde há muito comércio e feiras aos domingos. No cruzamento da 2ª Marabraz, note que também há um supermercado Extra em frente, onde nessa mesma rua (Santo Antônio de Ossela) existe uma bicicletaria, a Coelho’s Bike, que é uma ótima oficina caso a bike apresente algum problema, sendo a última opção de reparos especializados no trajeto.

Belmira Marin Bike Zona Sul
Ciclistas enfrentando as subidas da Av. Dona Belmira Marin.

Depois, é enfrentar a 2ª subida do Jardim Eliana, que também é longa, mas não é nada impossível para quem sabe utilizar as marchas da bicicleta a seu favor. Quase ao final dessa subida, também há uma pequena bicicletaria, mas raramente fica aberta ao finais de semana.

– ATENÇÃO: caso precise por qualquer motivo descer a avenida nesse trecho, evite andar no meio fio. No sentido centro, em frente ao Assaí Atacadista, há muito limo devido à água que escorre com frequência na sarjeta. Nesse local, um ciclista escorregou e infelizmente foi atropelado por um micro-ônibus ao cair na via. O ciclista estava voltando de uma viagem de Paranapiacaba com sua esposa.

ghost-bike Belmira Marin
Trecho perigoso no sentido centro da Av. Dona Belmira Marin. Note o limo da água no meio-fio durante a implantação da ghost-bike

 

TRECHO RURAL

Logo após a rotatória do Jardim Eliana, a Belmira Marin desce até a balsa, onde finalmente o trecho urbano vai ficando para trás e logo começa a zona rural ainda dentro da cidade. Atravessando a balsa, chega-se a Ilha do Bororé, onde também inicia o Pólo de Ecoturismo de São Paulo, que possui diversos atrativos naturais, dentro da Área de Proteção aos Mananciais do município.

Uma das curiosidades da Ilha do Bororé é que na verdade o local não é uma, mas sim uma península. Devido a sua principal via, a Estrada de Itaquaquecetuba, começar e terminar em balsas aparenta estarmos “ilhados”, daí surgiu o nome da região. Outra curiosidade é que recentemente a Estrada de Itaquaquecetuba foi modificada para a passagem do Rodoanel Sul, o que gerou uma série de desmatamentos na região, compensados pela criação dos parques naturais como o Parque Bororé, que foi implantado para a preservação das APAs. A Ilha do Bororé também é conhecida por suas pequenas construções centenárias, logo no início, que estão entre algumas casas, comércios e uma pequena igreja, a Capela de São Sebastião de 1904.

Balsa Grajaú
Balsa Grajaú-Bororé lotada de ciclistas
Bike Zona Sul
Construções históricas na Ilha do Bororé: Capela São Sebastião e comércio local.

A segunda balsa é o trecho final da Ilha do Bororé, onde termina a única linha de ônibus da Cidade de São Paulo que passa por balsa e também é o final das estradas asfaltas. Dessa vez, atravessando a represa, estamos entrando no município de São Bernardo do Campo, em uma zona rural chamada Taquaquecetuba, onde começa uma estrada de terra batida, com subidas curtas, mas um tanto intensas. Nela, é recomendável o uso de pneus MTB ou híbridos, mas alguns corajosos também se arriscam ir de speed ou pneus slick, o que pode ser um grande problema em dias chuvosos.

Logo no início da estrada, existe a Padaria Comunitária, um pequeno comércio onde é parada obrigatória para fazer um lanche ou comprar algo para comer no trajeto, pois esse é o ÚLTIMO ponto comercial para se abastecer, depois só em Cubatão. O local também possui uma creche infantil que cuida de várias crianças.

Paranapiacaba via Caminho do Sal Bike Zona Sul
Padaria Comunitária, logo após a 2ª balsa.

Percorrendo a Estrada de Taquequecetuba, logo percebemos a forte cultura rural presente nas inúmeras plantações, pessoas simples e um ar de interior, sendo um local maravilhoso para pedalar. Só é preciso tomar cuidado com os motoristas da linha de ônibus local, que andam com os veículos antigos a toda velocidade nessa estradinha de terra. Obs.: essa linha de ônibus da região liga a 2ª e a 3ª balsa e é gratuita.

Ao retornar o asfalto, basta seguir pela Estrada do Rio Acima, caminho à esquerda na bifurcação, lado esse onde se encontra novamente um dos braços da enorme Represa Billings. Nesse local, também há um pequeno bar ao lado de um ponto de ônibus e em frente à uma estação da Sabesp, mas o local nem sempre está aberto, por isso é sempre recomendável se alimentar e comprar algo pra levar na Padaria Comunitária.

Estrada do Rio Acima Bike Zona Sul
Estrada do Rio Acima, caminho a esquerda, logo após chegar o asfalto.
Bar da bifurcação Bike Zona Sul
Bar na bifurcação, logo após chegada do asfalto.

Pouco tempo depois seguindo pelo asfalto, encontramos a Rodovia dos Imigrantes que passa sobre a Estrada do Rio Acima. O acesso é fácil, mas é preciso ter cuidado, caso o tempo esteja chuvoso, pois o chão é bem escorregadio. Depois, basta passar a bike por cima do guard-rail para entrar no acostamento, tarefa fácil com bicicletas, desde que elas estejam levando pouca coisa. 😉

 

IMIGRANTES

A Rodovia dos Imigrantes é uma auto-estrada que faz parte do Sistema Anchieta-Imigrantes, um conjunto de rodovias que ligam a capital paulistana ao litoral. Nela passam milhares de veículos todos os dias, em alta velocidade, onde o mais recomendável é que o ciclista SEMPRE utilize os seus acostamentos. No Brasil, o ciclista pode trafegar nos acostamentos das rodovias, o que é um direito constitucional, também garantido por lei, sendo especificada no artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro:

Artigo 58

Capítulo III – DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA

Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

O artigo 1 do CTB ainda diz que a circulação é um direito de todos, independente do modal e é um dever das concessionárias promover a segurança com sinalização ou obras específicas para cada modal poder transitar:

Artigo 1

O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código.

§ 2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.

No entanto, algumas concessionárias como a Ecovias, desobedecem a lei e a Constituição Federal chegando até mesmo a enviar ações liminares com apoio da Polícia Rodoviária, alegando “falta de segurança” nas rodovias, tais quais são de responsabilidade delas mesmo, sendo um de seus principais deveres planejar o tráfego de ciclistas e pedestres:

Artigo 21

Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.

Portanto, é totalmente ILEGAL proibir a circulação de ciclistas e pedestres, ainda que a via ofereça “supostos riscos”, sendo necessária apenas a sinalização e diminuição das velocidades nesses trechos para que exista a PRIORIDADE desses modais ativos. Na Imigrantes, existe um largo acostamento em praticamente toda a sua extensão, com exceção dos túneis que cortam a Serra do Mar e alguns pequenos trechos em trevos e acessos, sendo completamente INJUSTIFICÁVEL essas proibições ao cidadão que utiliza a bicicleta como meio de transporte.

Vale lembrar ainda, que também existe a Lei Estadual Nº 10.095 de 26/11/1998, que prevê a obrigatoriedade da construção de ciclovias e/ou ciclofaixas nas rodovias, algo que também é descumprido por muitas concessionárias de rodovias no Estado de São Paulo:

Lei Nº 10.095, de 26 de novembro de 1998

Artigo 1.º – A presente lei disciplina a implementação de infra-estrutura para o trânsito de veículos de propulsão humana nas estradas estaduais e nos terrenos marginais às linhas férreas.

Artigo 5.º – Todos os projetos de construção de estradas estaduais deverão incluir a criação de ciclovias:
I – em trechos urbanos ou conturbados;
II – em trechos rurais, para servir de acesso a instalações industriais, comerciais ou institucionais.

Acreditamos que o ideal mesmo seria a implantação de uma ciclovia ligando o planalto ao litoral ao longo da rodovia, pois é o trajeto mais fácil para quem utiliza a bicicleta, tanto para descer ou subir da Baixada Santista, porém os ciclistas há muitos anos reivindicam duas rotas principais que levam ao litoral, evitando a Rodovia dos Imigrantes e o trânsito de veículos: a Estrada de Manutenção, que é parte do trajeto da Rota Márcia Prado e a antiga Rodovia Caminho do Mar (Estrada Velha de Santos), porém essa última é fechada aos ciclistas, algo que também contraria a legislação.

Rodovia dos Imigrantes Bike Zona Sul
Rodovia dos Imigrantes e seus largos acostamentos. Local onde ciclistas e pedestres devem ter livre circulação, mas o governo estadual e suas concessionárias impedem esse direito.

Em inúmeros países, estradas históricas e/ou que não possuem capacidade para receber veículos motorizados se tornam rotas de cicloturismo, como o Caminho de Santiago de Compostela, por exemplo. Existem países que estão até mesmo construindo rotas de cicloturismo cruzando todo o seu território de ponta a ponta. Temos também exemplos nacionais muito respeitados como o Caminho da Fé e a Estrada Real, que ganharam sinalização específica com o objetivo de fomentar o turismo local, realizando poucas intervenções no viário e algumas sinalizações, algo que poderia ser feito facilmente na Estrada de Manutenção.

Na Rodovia Caminho do Mar, esse propósito é parcialmente feito, mas de maneira bastante insatisfatória em comparação à rotas mencionadas. Isso porque essa estrada é praticamente fechada com guaritas na entrada e saída, sendo necessário um AGENDAMENTO de visitas e o PAGAMENTO DE TAXA para acessar o local, mesmo sendo uma rodovia “teoricamente pública” e um patrimônio nacional. O acesso de ciclistas à essa rodovia é ainda bem mais restrito, podendo ser feito somente através de muito diálogo e burocracias, sendo praticamente inviável exercer nosso direito de acessar a Baixada Santista quando quisermos através desse trajeto.

 

ESTRADA DE MANUTENÇÃO

Cansados de serem barrados ilegalmente pela polícia, os ciclistas passaram a utilizar a Estrada de Manutenção, evitando assim os túneis da Imigrantes e da Anchieta, através de um percurso mais bonito, porém um pouco mais difícil de se chegar ao litoral.

Para acessar a Estrada de Manutenção pelo caminho mais fácil, o ciclista deve percorrer cerca de 12km pela Rodovia dos Imigrantes, sempre indo pelos largos acostamentos. Ao chegar no trevo Anchieta-Imigrantes é necessário pegar o acesso para ir para o outro lado da Imigrantes e prosseguir pelo acostamento na contra-mão da pista sentido São Paulo, pois o acesso da Estrada de Manutenção fica desse lado da rodovia.

Trevo Imigrantes Bike Zona Sul
Trevo Imigrantes-Anchieta, onde é necessário subir por ele para atravessar pro outro lado da Rodovia dos Imigrantes
Trevo Imigrantes Bike Zona Sul
Vista no Trevo da Imigrantes
Acostamento Imigrantes Bike Zona Sul
Ciclistas precisam trafegar um pequeno trecho pela contra-mão, porém tem acostamento.

Após percorrer poucos quilômetros na Imigrantes, passando pelo antigo local do Rancho da Pamonha, logo chega-se às entradas da Estrada de Manutenção. O primeiro acesso é uma pequena estrada, que está parcialmente bloqueada por pedaços de concreto. Essa entrada pode apresentar trechos alagados com bastante lama em dias chuvosos. Já o segundo acesso, é uma larga entrada, bem melhor pavimentada, mas ambos os acessos saem em um trecho de estrada de terra com muita pedra e algumas subidas até chegar o asfalto, onde começam as descidas.

A partir do momento em que se entra na Estrada de Manutenção, é necessário muita ATENÇÃO. Cidadãos que usam a bicicleta como meio de transporte, geralmente buscam sinalizar a via, com placas e pinturas no sólo, indicando o trajeto e alertando sobre o risco nas descidas que são bastante íngremes e com curvas bem fechadas à beira de abismos, que geralmente surpreendem até os ciclistas mais experientes. Além disso, existe muito limo nas bordas, sendo recomendável sempre andar no meio da pista, estando atento aos carros e motos que ocasionalmente passam pela estrada. Evite também andar ou parar próximo às encostas, pois o asfalto frequentemente sofre com erosões e desmoronamentos, onde em muitos trechos nota-se rachaduras no asfalto.

Portanto, seja responsável e não abuse da velocidade nas descidas de forma alguma! Evite acidentes! Jamais se aproxime dos abismos para não correr riscos desnecessários! Não estrague o seu passeio e o dos outros!

Para adentrar o Parque Estadual da Serra do Mar é NECESSÁRIO QUE TODOS OS CICLISTAS solicitem AUTORIZAÇÃO PRÉVIA, pois trata-se de uma área de preservação ambiental. É muito importante que o parque saiba que você deseja passar pelo local.

Envie seus dados como nome, RG e a data que pretende acessar o parque para o e-mail pesm.itutingapiloes@fflorestal.sp.gov.br ou ligue para 13 3377-9154 / 3361-8250.

NÃO JOGUE LIXO NO CHÃO! Leve o lixo em uma sacola com você até chegar a uma lixeira mais próxima. Preserve o meio ambiente!

Estrada de Manutenção Bike Zona Sul
Placa alertando sobre as descidas na Estrada de Manutenção

ATENÇÃO:

O ciclista que deseja conhecer a rota, seja em eventos ou por conta própria, deve ser o ÚNICO RESPONSÁVEL por danos à sua bicicleta ou vandalismo e estar CIENTE DOS RISCOS, tais como: assaltos, possibilidade de quedas, risco de se perder pelo caminho e qualquer outro risco à saúde ou à vida, portanto é extremamente recomendável o USO DE CAPACETE para o caso de quedas. É necessário também que o ciclista CONHEÇA OU PESQUISE SOBRE O TRAJETO, evitando para si mesmo, tais riscos. Qualquer auxílio na região dependerá SOMENTE da colaboração dos próprios ciclistas, moradores locais ou serviços públicos (polícia, guarda municipal, etc.).

Bike Zona Sul - Rota Márcia Prado
Estrada de Manutenção – se deseja ir sozinho, procure utilizar bicicletas simples que não chamem atenção.

Ao longo do percurso, é possível ver várias cachoeiras e bicas de água, que são um convite para abastecer as garrafinhas e até tomar um banho. Também encontra-se um túnel no meio do caminho, mas não se deve seguir por ele, pois é onde dá acesso à um dos túneis da Imigrantes com carros passando em alta velocidade.

Em determinado ponto, existe um longo aclive conhecido como “Subida Quebra-corrente”, onde é sempre recomendável descer da bike e empurrar, pois o nome já diz tudo.

Túnel Estrada de Manutenção Bike Zona Sul
Túnel na Estrada de Manutenção
Subida "Quebra-corrente" Estrada de Manutenção Bike Zona Sul
Subida “Quebra-corrente”

 

TRECHO BAIXADA SANTISTA

Existem dois trajetos para chegar ao litoral, sendo um deles o percurso oficial que leva o ciclista até o final do Parque Estadual da Serra do Mar passando pela guarita do parque, onde provavelmente eles irão perguntar sobre a autorização para passar pelo local. Depois, o percurso segue por um trecho de terra seguindo pela Comunidade dos Pilões em direção ao Centro de Cubatão e posteriormente à Santos. Esse primeiro trajeto é recomendado ir em grandes grupos, pois é a única rota que comporta uma grande quantidade de ciclistas, porém há relatos de roubos em alguns locais do trajeto, o que tem inviabilizado muitos pedais a passar por ali.

A segunda opção, é teoricamente mais segura, onde o ciclista pega a saída da balança pegando a Imigrantes pela acostamento e posteriormente a Anchieta na interligação para chegar à Santos. É recomendável fazer esse trajeto somente em grupos pequenos de até 50 pessoas, pois o trânsito de veículos nesse percurso é bastante intenso e pode não comportar uma quantidade de ciclistas. Se você também quer evitar passar na comunidade, é preciso estar atento para não passar direto na Saída da Balança, que fica pouco depois do último túnel da Imigrantes.

Como nesse percurso ainda há risco de assalto, na Saída da Balança também há a opção de descer a Imigrantes pegando o acostamento na contra-mão, pois esse lado da pista não há acesso à comunidade que passa embaixo das pontes da rodovia. No entanto, o tráfego é ainda mais perigoso, pois há um trecho onde é preciso atravessar uma saída da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega para depois pegar a interligação Anchieta-Imigrantes. É necessário EXTREMA ATENÇÃO nesse trecho para atravessar a pista somente quando houver uma boa oportunidade.

Saída da Balança Bike Zona Sul
A Saída da Balança fica nesse entroncamento à esquerda, onde é possível ver a Ponte da Imigrantes. Ela fica na 3ª saída à esquerda, alguns quilômetros depois dos piscinões, corredeiras artificiais, formadas por grandes sistemas de drenagem da Rodovia dos Imigrantes.
Saída da Balança Estrada de Manutenção Bike Zona Sul
Parte de cima da Saída na Balança.

Após sair da Interligação Anchieta-Imigrantes e atravessar a Ponte sobre o Rio Casqueiro, FIQUE ATENTO. Os ciclistas deverão encontrar uma ROTATÓRIA, onde a partir desse ponto DEVERÃO MUDAR DA PISTA LOCAL PARA A PISTA CENTRAL, sempre indo pelo acostamento. Isso porque no bairro São Manoel também há riscos de assalto e indo pelo acostamento da pista central, esse risco diminui bastante, pois não há como atravessar para a pista dos ciclistas.

Enfim, chegando à Santos, os ciclistas podem ir até a praia tomar um banho de mar ou pegar o ônibus diretamente na Rodoviária de Santos, logo na entrada da cidade.

Santos Bike Zona Sul
Lado mais seguro é na Pista Central, onde passa ao lado do Peixe de Santos. Evite a pista local.

–> Mapa sugestivo para a Rota Márcia Prado com trajetos alternativos:

Para ajudar em todo esse percurso, há um mapa que é atualizado, conforme recebemos informações dos amigos ciclistas. É RECOMENDÁVEL que todos os ciclistas utilizem as orientações desse mapa, que contém ícones com INFORMAÇÕES IMPORTANTES, como também o trajeto da Rota Márcia Prado, pontos de concentração, opções de trajeto, indicações de bicicletarias, locais de lanches/alimentação e algumas advertências sobre riscos.

 

RETORNO

Apesar de alguns ciclistas voltarem no pedal, a volta pra casa geralmente é feita de ônibus rodoviário, portanto, caso for voltar no mesmo dia, é recomendável comprar ANTECIPADAMENTE sua passagem com uma empresa de sua preferência. Também recomenda-se comprar sua passagem com horário de saída após às 19hs, para dar tempo de chegar à alguma rodoviária da Baixada Santista sem problemas. Geralmente as empresas de ônibus do litoral, não implicam em levar as bikes no bagageiro, desde que você desmonte a roda dianteira e retire o banco/selim, caso a bicicleta não caiba inteira no bagageiro. Observe o tamanho do bagageiro dos ônibus da empresa que você escolheu, antes de embarcar e procure desmontar a bike com antecedência do horário de partida. Ao chegar, bastar retirar/remontar a bicicleta do bagageiro e ir pedalando ou de metrô pra casa.

Apresentando a Rota Márcia Prado por Renata Falzoni (vídeo):

RESUMO

– Tema do pedal: aventura / cicloturismo / ambiental.

– Nível de dificuldade: intermediário (para quem já pedala ao menos 50 km com subidas sem se cansar).

– Distância: 70km (somente ida / volta de ônibus na Rodoviária de Santos).

– Ritmo recomendado: passeio (10 a 15km/h).

– Tipo de terreno: 70% em asfalto. Trecho em estrada de terra batida entre a 2ª balsa e a Imigrantes.

– Tipo de bicicleta indicado: qualquer modelo. Speeds terão maior dificuldade nos trechos de terra, mas é possível, exceto em dias chuvosos.

– Confira mais fotos do trajeto:

Rota Márcia Prado 2014 https://www.facebook.com/media/set/?set=a.862585760429632.1073741863.166744686680413&type=3

Rota Márcia Prado 2015 (Agosto) https://www.facebook.com/media/set/?set=a.986374048050802.1073741900.166744686680413&type=3

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4 comentários em “Rota Márcia Prado

  1. Olá meu nome é Marcio Lopes moro região do Grajaú (Eliana) Tive a oportunidade de participar das edições Rota Márcia Prado 2009,2011,2014.
    O que eu quero registrar aqui é o seguinte,de todas as vezes que participei sempre teve o fato de não ter apoio de alguns órgãos públicos,inclusive até mesmo a proibição do evento.
    O que será de fato impeça a legalização para esse evento?
    Mesmo sabendo que oficializando e criando estrutura dando segurança para quem participa (mesmo que precise de pagar uma taxa para manutenção justa) todos sem ganhando.
    Não basta só mente mostrar o caminho e incentivar as pessoas a irem mas também buscar parcerias estruturas para que possa garantir o acesso e o minimo de segurança na baixada.Vejo dois problemas cruciais que faz com que este evento não se torne realmente “oficial”:
    1-ciclovia para o trecho imigrantes(garantir segurança para quem pedala e quem dirige).Alegam o risco de acidente “que claro é eminente”.
    2-Sinalizar ou até mesmo colocar grades,alambrado,tela de segurança,placas informativas nas dependências do parque estadual serra do mar, para que não haja acidentes nos trechos de perigo.Por se tratar de um área de serra onde há penhascos).
    Explorar o comercio de forma organizada como é feito no zoológico por exemplo
    criar guaritas ou postos policiais no trecho de saída do parque, até a rodoviária por exemplo para inibir riscos de assalto.
    No dia 04/11/2016 tive a oportunidade de ter uma conversa rápida por telefone com o assessor de comunicação do parque e foi exatamente esses problemas que sitei que faz com que a Rota Márcia Prado não seja viabilizada.
    Acredito que seja simples assim, todos os órgãos públicos sentarem na mesa com disposição, para RESOLVEREM esta questão da viabilização e adaptação da RMP que não é algo difícil de solucionar que é do interesse de todos os ciclistas.Até quando ficaremos neste impasse?

    OBRIGADO PELA ATENÇÃO.

    Curtido por 1 pessoa

    1. A questão não é tão simples como parece, Marcio. Do ponto de vista viabilidade, sim é muito simples, mas do ponto de vista burocracia e boa vontade é bem difícil. Nosso governo estadual, não se importa com ciclistas, infelizmente.

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