Talita Merino

Confira a história da Talita Merino. Ela conta pra gente como a bicicleta a ajudou a aliviar o estresse, fazer amigos e conhecer a cidade!

Talita Merino Bike Zona Sul

“Meu nome é Talita Merino, tenho 29 anos, moro na região do Grajaú, em São Paulo e trabalho numa micro-empresa. Em 2012 enfrentei alguns problemas que me deixaram com vontade de metralhar o mundo. Mas em vez de entrar em algum tipo de luta para extravasar eu resolvi “surrar” uns pedais.

Comecei a pedalar para me livrar do estresse. Eu era completamente sedentária há anos e anos e sabia (como todo mundo deve saber de tanto que essas informações nos bombardeiam atualmente) que o exercício físico alivia o estresse, as tensões, melhora o sono, o humor, a disposição, etc. Enfim, tudo o que eu precisava. Eu escolhi pedalar por ser um exercício que eu poderia praticar sozinha (sem depender dos outros), ao ar livre, sem pagar mensalidade ou aulas, e de quebra poderia servir como transporte um dia (atualmente vou para o trabalho a pé).

Quando fui escolher uma bicicleta para comprar vi que teria que ver tanta coisa para escolher uma ideal para mim que já estava desistindo de começar. Daí acabei ganhando uma que meu primo quase não usava e que estava sem lugar para guardá-la. (Obrigada, Bruno!) Comecei pedalando por três voltas no meu quarteirão. Essa pedalada de míseros 1,2Km me fazia chegar em casa ofegando com o peito ardendo e tambores nos ouvidos. Mas eu continuei com essas voltas e depois fui dar voltas numa praça. No começo por quinze minutos, depois meia hora, uma hora, uma hora e meia, e fui me aventurando pelas ruas próximas aos poucos (bem aos poucos).

Daí vieram as inscrições para o World Bike Tour 2013 e resolvi participar com o interesse de adquirir a bicicleta. Confesso que os 10Km do percurso me intimidavam, pois nessa época eu não tinha velocímetro e não fazia ideia de quanto pedalava em uma ou duas horas. Pedalei os 10Km do evento (que foi uma decepção total) com a maior facilidade. Então pensei: se foi tão mais fácil pedalar esses 10Km do que o que pedalo perto de casa eu devia começar a ir para a ciclovia da Marginal Pinheiros, que fica quase à mesma distância da minha casa. Depois que fui pela primeira vez e vi que conseguia pedalar cerca de 50Km com certa tranquilidade, eu só pensava em ir além. Mas continuei pedalando sem viajar, por muito tempo, com medo de ir sozinha.

Talita Merino Bike Zona Sul
Talita Merino no Pedal Noturno da Bike Zona Sul

Até que em outubro de 2014 eu participei de um Ato do Bike Zona Sul. Foi uma excelente oportunidade de conhecer pessoas que adoram bicicleta e também só pensam em ir além. A partir daí nunca mais faltou passeio ou companhia. Pelo contrário: em quanto mais passeios eu ia mais gente interessante eu conhecia (meu namorado incluso). Convites apareciam e tive a oportunidade de ver uma das coisas que a bicicleta proporciona de mais legal: o contato com as pessoas, a união de pessoas que nunca se viram mas que estão sempre dispostas a ajudar e incentivar quando alguém precisa.

Eu aprendi que o melhor da viagem não é o destino, nem o caminho. É a companhia! Pouco depois, começou o pedal noturno do BZS, que além de ser um incentivo para quem está começando é uma forma de difundir o uso da bicicleta na nossa região. Acabou sendo uma forma de simplesmente conhecer mais a nossa cidade e as novas ciclovias que vão aparecendo (MUITO obrigada, BZS!).

Pra mim, a bicicleta vai além de proporcionar interação, saúde, um modo mais rápido de se locomover ou outra relação com a cidade. Ela foi além de me aliviar do estresse, que era minha intenção quando comecei a pedalar. Pedalar distâncias cada vez maiores desenvolve o autoconhecimento e autocontrole: quando você se pega ofegante e com as pernas moles mas sabe que uma pequena pausa para respirar, beber água e alongar, irá te recompor para aguentar muitos quilômetros mais; ou quando você está cansado e consegue manter a calma quando aparece ‘aquela subida’, ou quando só o responsável por ‘fechar o bonde’ pedala ao seu lado porque todo mundo já te passou, por exemplo.

Para não falar da concentração que fazer tudo isso exige, além da necessária para se manter equilibrado sobre duas rodas por horas, às vezes passando ao lado de veículos hostis… Mas não existe recompensa maior do que saber que você (você!), mesmo com tanta coisa contrariando, uniu mente, determinação e cada fibra de seu corpo, e conseguiu SE superar mais uma vez…

Ah! É claro. O vento batendo no rosto não é só um detalhe! (Quem pedala, sabe.)”

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