Thomas Wang

Moro em São Paulo desde sempre e pedalo pelas ruas desde 2008. O amor pelo pedal começou com coisas simples, como ir até a padaria, até a aula de natação, pegar algo na lavanderia, ir ao supermercado…. Para preocupação dos meus pais, em 2010 comecei a ir para o colégio pedalando, algumas poucas vezes. Logo eles vetaram a ideia, já que eram mais de 10 quilômetros, sendo que eu pegava avenidas como a Vereador José Diniz, a Ibirapuera e um trecho da 23 de Maio…

Até o fim de 2012 fazendo trajetos curtos (a padaria, supermercado, etc), indo algumas vezes para o colégio e participando de alguns passeios, além de Bicicletadas com alguns amigos. Em 2013 comecei a ir pro colégio pedalando quase todo dia (para o desespero dos meus pais rs). Era o máximo chegar suado, acordado e conseguir ficar atento na aula. A maioria dos professores e colegas achava corajoso e inteligente. Vários professores adoraram a ideia, sendo que alguns aderiram, além de outros que já pedalavam e continuam pedalando até hoje.

Porém no final de 2013 fui atropelado por uma motorista que ignorou a sinalização. Rolei por cima do carro dela e até hoje tenho cicatrizes nas duas pernas por conta disso. A boa e velha bicicleta Konnor (que estava na família há 3 gerações!) foi totalmente destruída, sendo que até hoje está na minha garagem.. Depois de todo o estresse de tentar conseguir os meus direitos (como seguro DPVAT e etc), até hoje tudo isso não deu nada! O DPVAT não pagou nem os remédios que tive que tomar por conta da cicatrização e infecções posteriores… Isso sem contar os 3 meses sem andar, se arrastando de muletas e cerca de 6 meses sem poder praticar atividades físicas… E sem pedalar!

O que mais me deixa revoltado é saber que a mulher que me atropelou continua dirigindo, colocando outras pessoas em risco! Na minha opinião, quem atropela e tenta fugir deveria ser condenado imediatamente, além de nunca mais poder dirigir…

perfil
Thomas Wang

Acredito numa sociedade mais civilizada e numa cidade mais humana, as mudanças vem de pequenos atos, no começo até mesmo estranhos e individuais, mas que a longo prazo mudam a mentalidade e a cultura de todos nós… Então vamos continuar pedalando e lutando por segurança! Uma cidade amigável para pedestres e ciclistas melhora a qualidade de vida de todos 🙂

Por fim, participo do Bike Zona Sul, do BikeIt (mapeamento colaborativo de lugares amigos dos ciclistas) e da Cidade A Pé (em prol dos pedestres, ou seja, todos) e estudo Comunicação/Relações Públicas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Contato: thomaswang@bikezonasul.org